OMC alerta para 'cenário negro' e pede acordo em Doha

Documento da organização projeta uma desaceleração da economia mundial bem maior que o previsto

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

15 de julho de 2008 | 14h26

Um fracasso nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) poderia adicionar "mais uma nuvem negra" na economia internacional. O alerta é do diretor-geral da entidade, Pascal Lamy. A OMC publicou nesta terça-feira, 15, seu relatório anual, alertando que a crise internacional poderá frear a expansão do comércio mundial em 2008. "Apelo para que todos os governos se unam diante do cenário negro para a economia e que isso se traduza na conclusão da Rodada Doha", disse Lamy.   Veja também: Cronologia da crise financeira As grandes crises econômicas  Entenda os efeitos da crise nos Estados Unidos Governo dos EUA adota medidas ousadas para ajudar agências A previsão inicial era de que as exportações se expandiriam em 4,5% este ano (contra 5,5% no ano passado e 8,5% em 2006). O documento da OMC alerta, porém, que esse número pode ser bem menor. "Uma desaceleração maior que a que se projetava na economia mundial pode reduzir o crescimento do comércio para uma taxa significativamente abaixo dos 4,5% previsto", alerta a OMC. A entidade destaca a queda na demanda americana, européia e japonesa como um dos principais fatores.Para Michael Finger, um dos economistas da OMC, a queda nas economias dos países ricos está sendo "pronunciada". Um dos efeitos seria a menor importação e um aumento nas exportações. "Por isso é que o melhor seguro contra o protecionismo é a conclusão das negociações", afirmou Lamy. "As nuvens negras que existem hoje no cenário internacional não são causadas pelo comércio. Mas a conclusão da Rodada seria um sinal político importante. Não vai tirar as nuvens negras do caminho. Mas se não concluirmos as negociações, vamos adicionar mais uma nuvem no horizonte", alertou.   A sensação de que a crise financeira e da economia dos EUA escapou do controle das autoridades manteve os investidores em total alerta durante toda a manhã, não só em Wall Street, mas nos demais mercados do globo, levando as bolsas européias a fechar em queda, em média, de 2%. Londres fechou em queda de 2,42%, Frankfurt caiu 1,91% e Paris recuou 1,96%. Por aqui, a Bovespa abriu em queda e às 15h39 (de Brasília) operava em leve alta de 0,42%, aos 60.976,1 pontos.   Nova York, entretanto, encontrou sustentação na desaceleração de mais de 5% do petróleo e nas considerações do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que continua monitorando o setor financeiro. Ambos os fatores amenizaram a pressão sobre os principais índices norte-americanos. Às 15h33 (de Brasília), Dow Jones subia 0,21% e S&P 500 operava em alta de 0,06%. O Nasdaq operava em alta de 1,09%.   Na Ásia, o dia também foi marcado por grandes perdas. A bolsa de Seul recuou 3,16%, para 1.509 pontos, enquanto a bolsa de Sydney perdeu 2,14%, aos 4.815 pontos. Xangai recuou 3,43%, Taiwan despencou 4,51% e Cingapura registrou desvalorização de 2,53%. O índice Nikkei, do Japão, teve perda de 2%. Brasil Dados internos da OMC estimam que o Brasil poderia ser o maior beneficiado de um acordo na Rodada Doha. Os estudos apontam que um eventual acordo na entidade na próxima semana irá gerar ganhos de no máximo 1% do PIB à economia mundial, ou US$ 50 bilhões por ano. Brasil, China e Índia ficariam com um terço desses ganhos. Pascal Lamy admite que o número absoluto não é expressivo. Mas alerta que o acordo não pode ser calculado apenas nessas bases. Pelos estudos feitos pela própria entidade, o Brasil sairia como um dos principais beneficiados pela Rodada, com o corte de subsídios nos Estados Unidos, melhor acesso a mercados nos países europeus e certos cortes de tarifas em outros países emergentes.   A partir do próximo fim de semana, ministros de todo o mundo chegam a Genebra para a última chance de um acordo na OMC. O processo foi lançado em 2001 e deveria ter sido concluído em 2005, mas continua sem uma solução diante das diferenças de posições.   (com Agência Estado)

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