OMC alerta para nova onda de protecionismo

Após a crise, barreiras comerciais cresceram, diz órgão

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2009 | 00h00

A Organização Mundial do Comércio (OMC) alerta para a "fermentação do protecionismo" no planeta e avalia incluir medidas brasileiras de restrição à importação ao aço na lista de barreiras protecionistas adotadas pelos governos. Ontem, o diretor da entidade, Pascal Lamy, alertou que o protecionismo comercial já está ocorrendo diante da recessão, apesar das promessas de governos de que não apelariam a barreiras contra importações."Há uma fermentação protecionista. Todos concordamos que não tomaríamos o caminho do protecionismo. Mas, como era esperado, ele já está ocorrendo", afirmou Lamy, em um evento ontem em Genebra para lidar com os impactos da recessão. Subsídios dados por Estados Unidos e Europa, além de elevação de barreiras no Equador, Índia, Zâmbia ou mesmo no Brasil no setor do aço vêm se proliferando. Dados coletados pela própria OMC apontam que o número de novos casos de medidas antidumping também aumentou nos últimos seis meses.No caso do Brasil, o País elevou as taxas de importação ao aço há uma semana. Fontes do gabinete de Lamy indicaram que a entidade estuda se essas medidas serão incluídas na lista de barreiras adotadas pelo mundo. Segundo disse Lamy ao Estado, a lista deve ser publicada em duas semanas. Mas a China também tem adotado medidas que tem o potencial de distorcer os mercados. Nesta semana, Pequim anunciou que estava reduzindo impostos para exportadores, o que favoreceria ainda mais as vendas do país. A medida preocupou setores no Brasil. Quem também está em estado de alerta é o setor do leite. Tanto no s Estados Unidos como na Europa, os governos decidiram reintroduzir subsídios à exportação. No caso do Brasil, o País mantém um discurso duro na OMC contra medidas protecionistas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ser indicado por Lamy como uma referência na resistência contra as barreiras. "Manter mercados abertos é a melhor forma de superar a crise. Mas vemos uma fermentação de medidas protecionistas", alertou. "O protecionismo não vai proteger ninguém." "Se um governo decide restringir a entrada de um produto de um vizinho, pode depois perder ao ter seus próprios produtos barrados'', disse. Lamy estima que as barreiras protegem exatamente os empregos de menor qualidade, enquanto as exportações que seriam afetadas por medidas retaliatórias prejudicariam os de maior qualidade. "Portanto, essas medidas protecionistas não funcionam em uma conta final", disse. Para Lamy, a única forma de barrar a "fermentação de medidas protecionistas" é garantir políticias sociais que deem conta da pressão gerada pela recessão no mercado de trabalho. Ele defende a adoção de políticas de empregos de tempo parcial, treinamento e outras medidas que possam responder aos impactos da crise. "A capacidade de evitar o protecionismo vai depender de políticas sociais em países", concluiu.

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