OMC aponta entrave ao produto brasileiro em mercados parceiros

O Brasil é o país latino-americano que mais sofre medidas antidumping por parte de seus parceiros comerciais e é uma das maiores vítimas dessas barreiras entre as economias emergentes. Um levantamento feito pela Organização Mundial do Comércio (OMC) aponta que desde 1995, 70 investigações foram iniciadas contra a exportação dos produtos nacionais. De uma forma geral, porém, o relatório aponta que o número de aplicações dessas barreiras no mundo caiu no primeiro semestre de 2003. As medidas antidumping são implementadas por governos nacionais para impedir que um produto importado entre no país com preços injustos, ou seja, sendo vendido a um preço inferior ao que é cobrado em seu próprio país de origem. Para tentar evitar essa prática, governo são autorizados a iniciar investigações e, se comprovarem a ilegalidade, podem aplicar sobretaxas, conhecidas como medidas antidumping. O problema, porém, é que muitas administrações usam o recurso para simplesmente evitar a entrada de produtos estrangeiros, mesmo que não estejam praticando dumping. Esse tipo de medida afeta vários setores exportadores do Brasil, mas muitas das barreiras estão concentradas no setor siderúrgico. Apenas nos últimos seis meses, duas investigações foram iniciadas contra os produtos nacionais do exterior. Das 70 investigações contra os bens brasileiros ocorridas desde 1995, 54 delas acabaram se tornando barreiras reais às exportações. Desse total, 26 foram colocadas pela Argentina, sócia do Brasil no Mercosul, e cinco pela Casa Branca. Brasil é campeãoNa América Latina, o Brasil é disparado o que mais sofre investigações. Desde 1995, os produtos mexicanos sofreram apenas 30 investigações e apenas 18 acabaram sendo efetivadas. No mundo, apenas a China, Taiwan, Indonésia, Coréia e Índia sofrem mais barreiras que o Brasil entre as economias emergentes. Mas o País também aplica medidas antidumping de forma ampla. Foram 55 até agora, nove delas contra a China e seis contra os produtos dos Estados Unidos. No primeiro semestre, duas investigações contra produtos estrangeiros que entram no Brasil foram iniciados. O número é considerado alto, mas ainda pequeno em comparação às mais de 180 medidas aplicadas pela União Européia.

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