OMC aponta estagnação nas importações dos EUA

A Organização Mundial do Comércio (OMC) chamou a atenção para a estagnação das importações dos Estados Unidos, o maior mercado do mundo. Cálculos da OMC obtidos pelo Estado apontam que a crise americana já vem tendo um efeito sobre as compras do país, ainda que o crescimento na China, nos países da América do Sul e na Rússia estejam, por enquanto, mantendo o ritmo de comércio internacional. Sobre o Brasil, o economista da OMC Michael Finger adverte que o País pode começar a sentir o peso do real em suas exportações em 2008, principalmente no setor de manufaturados.Em janeiro, a alta nas importações dos Estados Unidos foi de apenas 0,4% em volume em comparação com o mesmo mês de 2007. "Esses números confirmam a desaceleração na economia", afirmou o economista da OMC, em Genebra. Já se beneficiando de um dólar desvalorizado, os americanos viram suas exportações aumentando em 8,8%. Por enquanto, porém, o déficit na conta comercial dos Estados Unidos continua em US$ 58 bilhões.O que mantém o otimismo da OMC são os números dos países emergentes em termos de importação, o que demonstra que a economia desses países continua forte. "Na China, a alta nas importações em janeiro foi de mais de 25%, valor parecido com o da Rússia", afirmou Finger. Segundo os cálculos do economista, a desaceleração americana e o euro valorizado devem atrapalhar o comércio tanto dos Estados Unidos quanto da Europa em 2008. O resultado pode ser a confirmação da China como maior exportador do mundo ainda neste ano. "Essa realidade está se aproximando. A China será a maior potência exportadora", disse.REVISÃONo fim do ano passado, a OMC foi obrigada a rever para baixo o crescimento do comércio mundial em 2007. Inicialmente, a projeção era de 6%. Mas a alta deve ficar em 5% em volume, ante 8% em 2006 e 10% em 2005. Quanto ao Brasil, o economista da Organização Mundial do Comércio disse que a valorização do real deve ser de fato sentida. "Será mais difícil o País vender no setor de manufaturados", disse Finger. Para ele, o fato de que os preços das commodities estão em alta e que o Brasil tem um comércio diversificado podem anular em parte as perdas com o dólar e com a queda nas compras dos Estados Unidos. "O Brasil tem um perfil de comércio interessante, com um bom fluxo para outras regiões fora da esfera dos Estados Unidos", destacou Finger. CUTSobre as medidas cambiais tomadas pelo governo para tentar ajudar os exportadores, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou que uma solução mais duradoura para o problema não será encontrada na gestão do câmbio."O que precisamos é de uma reforma tributária que dê de fato mais eficiência à produção", disse o secretário-geral da CUT, Quintino Marques Severo. "O câmbio é flutuante. Mas a forma de tributar precisa ser sólida para dar competitividade à economia", afirmou.

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