OMC: câmbio põe em 'sério risco' a recuperação global

O diretor-gerente da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy, alertou que a estabilidade e a recuperação econômica podem ser colocadas em sério risco pela falta de cooperação nos mercados de câmbio globais. "O duramente conquistado caminho para a estabilidade e a recuperação liderada pelo comércio pode ser colocado em sério risco pelo comportamento não cooperativo no câmbio", disse Lamy em reunião da OMC.

REGINA CARDEAL, Agencia Estado

19 de outubro de 2010 | 16h35

Lamy afirmou que a resposta aos temores de que as economias possam buscar uma vantagem competitiva ao induzirem uma taxa de câmbio favorável é uma questão para o Fundo Monetário Internacional (FMI) mais do que para a OMC. "Contudo, pensei em partilhar esta preocupação com vocês porque acredito que a história nos julgará severamente se nossos esforços coletivos para sair da crise econômica forem frustrados pela busca míope da renda individual", disse Lamy.

Os ministros de Finanças e dirigentes de bancos centrais do Grupo dos 20 (G-20) devem discutir os mercados de câmbio voláteis em reunião na Coreia do Sul na sexta-feira, preparatória ao encontro de cúpula do G-20 no próximo mês. Alguns analistas temem uma "guerra no câmbio" protecionista na qual as grandes economias buscam taxas de câmbio favoráveis à ampliação de suas exportações.

Horas antes da reunião informal do comitê de negociações de comércio da OMC, Lamy disse aos jornalistas que "há um risco de atrito e é real". "As taxas de câmbio estão se movendo mais no momento do que há poucos meses", acrescentou. "Há uma certa desordem."

Lamy disse que uma abordagem multilateral é o melhor meio para conter o risco, começando com um diagnóstico comum sobre as origens da instabilidade nos mercados de câmbio. Ele destacou que, ao usar o câmbio para ampliar sua competitividade, um país coloca pressão política sobre outros. As informações são da Dow Jones.

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