OMC coloca Brasil entre economias mais protecionistas

País iniciou 22 investigações de anti-dumping em 5 meses

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2014 | 11h55

GENEBRA - O Brasil foi a economia do G-20 que mais barreiras comerciais adotou nos últimos cinco meses, iniciando investigações sobre dumping de produtos importados em 22 setores. Os dados fazem parte de um informe da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que será apresentado aos líderes do G-20 na semana que vem na Austrália. 

Apesar de liderar na imposição de barreiras anti-duping, o Brasil tomou mais de 13 iniciativas para liberar o comércio desde maio.

Segundo o informe preparado pela entidade liderado pelo brasileiro Roberto Azevedo, um total de 88 medidas anti-dumping foram tomadas no mundo desde maio. Um quarto delas foi de iniciativas apenas do Brasil. Em segundo lugar aparece o Canadá, com 22 medidas. Sozinho, o governo brasileiro iniciou um maior número de ações que EUA e Europa juntas.  

A OMC não se limita a listar as medidas anti-dumping. Numa conta total e incluindo outros setores, a Índia supera o Brasil entre os emergentes com maior número de barreiras.  

Para a OMC, a realidade é que, apesar das promessas dos governos de que não iriam recorrer ao protecionismo diante da crise internacional, a realidade é que as barreiras continuam a ser erguidas. 

Desde 2008, quando a crise eclodiu, 1244 medidas restritivas foram adotadas. Desde setembro de 2008, apenas 282 barreiras foram retiradas. Em apenas um ano, a alta no volume de obstáculos ao comércio chegou a 12%.

Desde maio deste ano, foram 93 novas medidas pelos governos do G-20, uma média de uma a cada dois dias e afetando US$ 117 bilhões. Isso representa 0,6% do comércio do grupo. No mesmo período, os governos adotaram 79 medidas liberalizantes.

Desde 2008, as medidas protecionistas adotadas pelo G-20 atingiram 5,3% do comércio e um fluxo total de US$ 757 bilhões.

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