OMC diz que balança do País depende do preço de itens básicos

Estudo mostra que a alta das cotações dos minérios e de outros recursos sustentaram superávit comercial

, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

O Brasil estaria perigosamente dependente dos preços de commodities para garantir um bom desempenho de sua balança comercial. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que, durante a recessão, o telhado de vidro da balança comercial brasileira foi evidenciado. As altas dos preços de minérios e outros recursos naturais teriam sido o que sustentaram o superávit, e não a competitividade internacional do País.

Em 2009, a queda nos preços dos produtos fez as vendas brasileiras despencarem e sofrer uma das quedas mais acentuadas entre os países emergentes. O Brasil chegou a cair duas posições no ranking dos maiores exportadores elaborado pela OMC.

O que chama a atenção a partir dos números publicados ontem pela OMC é a volatilidade dos preços de commodities. Minérios tiveram seus preços reduzidos em 29% em 2009, contra 17% na agricultura. Entre julho de 2008 e fevereiro de 2009, a queda no valor dos minérios chegou a 50%.

Para o Brasil, que tem 12% de sua pauta de exportação no setor de minérios, a queda foi sentida na balança comercial. O resultado foi a perda de posições do Brasil na classificação dos maiores exportadores, passando da 22.ª posição em 2008 para a 24.ª posição no ano passado. Índia e Austrália superaram o Brasil. O primeiro lugar é da China, seguida por Alemanha e Estados Unidos.

A dependência do Brasil nos preços internacionais ainda explicita o fato de que, nos anos de boom das exportações, a expansão das vendas nacionais não estava baseada em um maior volume de exportações, mas apenas na valorização dos preços de commodities.

A constatação de economistas, portanto, é de que o Brasil não se tornou mais competitivo nos últimos anos nem ganhou espaço nos mercados internacionais.

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