OMC diz que negociações de Doha estão em ´momento da verdade´

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, alertou, nesta quinta-feira, que as negociações da rodada de Doha estão diante de seu "momento da verdade". Num discurso perante o comitê para o comércio internacional do Parlamento Europeu, ele lembrou que o prazo limite para se acertar as bases de um acordo multilateral para os produtos agrícolas e bens industriais - o próximo dia 30 de abril - está se aproximando, mas o impasse nas negociações continua. "A possibilidade de se fechar um acordo - decidindo o sucesso ou o fracasso nas negociações iniciadas há quatro anos - será decidida nos próximos quarenta dias", disse Lamy. "Estamos apenas quarenta dias distantes de nossa data limite e todos nós sabemos o que precisamos fazer para levar essas negociações adiante."Ele observou também que a data para que a rodada seja totalmente concluída é o final deste ano. "Essa não é uma data que os países membros da OMC escolheram do nada, não é uma data que caiu de um chapéu", disse. "É na verdade a data que corresponde ao fim da validade da autoridade de promoção comercial dos Estados Unidos (mecanismo que autoriza o presidente norte-americano a negociar acordos comerciais que podem ser aprovados ou rejeitados pelo Congresso, mas não alterados)".ConsciênciaAo fazer um detalhado balanço do estágio atual das negociações, Lamy disse estar consciente de que se não houver um acordo dentro do prazo, a liberalização do comércio ambicionada pela rodada de Doha "seria impossível de ser atingida no futuro próximo". Os maiores perdedores com um fracasso, acrescentou, seriam os países em desenvolvimento e pobres, além da própria OMC. Segundo Lamy, para que esses prazos sejam respeitados, todos os países envolvidos nas negociações terão que demonstrar flexibilidade. "Embora a agricultura tenha sido colocada como elemento principal, a rodada não é um movimento unilateral e progressos precisam acontecer em todas as frentes", disse. "Para desbloquear a agricultura, os Estados Unidos precisam alterar seu apoio doméstico e a União Européia o acesso a seu mercado. Índia, Brasil e outros países em desenvolvimento precisam mostrar maior flexibilidade para os bens industriais." ServiçosO chefe da OMC salientou que as negociações para o setor de serviços precisam continuar a progredir. "Os serviços são contribuintes extremamente importantes para a economia atual, e o processo de requisições e ofertas precisa ser acelerado." Lamy ressaltou aos parlamentares europeus a importância que os países em desenvolvimento atribuem à questão do movimento temporário de profissionais para a provisão de serviços. "Isso é uma prioridade para muitos países, um tema que a Europa terá que responder nas próximas semanas."

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