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OMC está em ´encruzilhada´ com Doha, diz Lamy

Para diretor da organização, fracasso da rodada de negociações pode ser ´fatal´

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 19h11

O diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, alerta que a colonização econômica ainda não está superada, apesar da descolonização política ter já ocorrido há 50 anos. Nesta segunda-feira, 2, falando aos países da ONU, Lamy deixou claro que a OMC está em uma "encruzilhada" diante da falta de avanço e que se Brasil, Índia, Estados Unidos e Europa não se moverem, um fracasso pode ser "fatal". Para Lamy, um acordo poderia ser obtido se os países aceitassem fazer concessões que ele acredita ser pequenas. Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o mundo "precisa desesperadamente" de um acordo na OMC, inclusive para ter a capacidade de lutar contra a pobreza e reduzir as disparidades. Os principais líderes de organizações internacionais estiveram reunidos nesta segunda em Genebra para debater o futuro da economia mundial e não deixaram de destacar a OMC. "Os obstáculos ao comércio, os subsídios agrícolas e as regras exigentes sobre direitos de propriedade intelectual aumentam as desigualdades no mundo", afirmou Ban Ki-Moon. Murilo Portugal, vice-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), também "lamentou profundamente" a crise que enfrenta a OMC. Para a entidade, a rodada é importante para manter afastadas "pressões protecionistas" que poderiam ter custos elevados. Para Lamy, está claro que a abertura comercial seria importante para a luta contra a pobreza, ainda que não seja suficiente se for aplicada sem reformas. Segundo ele, as regras da OMC hoje ainda "perpetuam" os desequilíbrios em prejuízo aos países em desenvolvimento, como no caso dos subsídios agrícolas. "Se a descolonização política ocorreu há 50 anos, não completamos ainda descolonização econômica", afirmou.Segundo Lamy, se os países querem um acordo concluído em 2007, precisam ceder nas negociações agrícolas e na questão de produtos industriais. Para ele, as concessões que teriam de ser feitas "não são grandes". Em termos de subsídios, a diferença entre o que o Brasil quer e o que os americanos estão dispostos a dar representa uma semana de comércio entre Estados Unidos e Europa. "O desafio é político, não econômico", afirmou. "Se houver um fracasso, as conseqüências serão geopolíticas e irão bem além do comércio."Via RápidaQuestionado pelos Estados Unidos sobre o que poderiam fazer mais para chegar a um acordo, Lamy foi direto: trabalhar para convencer domesticamente o público da importância da rodada e resistir a pressões protecionistas. Na última sexta-feira, venceu a autorização dada pelo Congresso americano para que a Casa Branca negocie acordos comerciais.

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