OMC faz rascunho sobre abertura comercial e ignora Brasil

Dez meses após o fracasso da reunião ministerial de Cancun, a Organização Mundial do Comércio (OMC) apresentou nesta sexta-feira um rascunho de um acordo sobre o ritmo da abertura agrícola e industrial. Vago, o texto tenta manter o princípio de que as barreiras dos países ricos a agricultura devem sofrer uma "substancial redução" nos próximos anos. Mas em alguns pontos centrais da proposta - subsídios domésticos e liberalização de produtos industriais - a OMC ignorou os pedidos e interesses do Brasil.Os países tem 15 dias para entrar em um entendimento sobre o texto, que ainda inclui temas como o comércio de serviços e comércio e exclui as negociações sobre investimentos e concorrência. Um dos principais pontos que vai contra os interesses brasileiros é a manutenção da autorização para que certos subsídios domésticos possam ser dados pelos países ricos. Caso a proposta seja aceita, parte da vitória do Brasil na disputa contra os subsídios americanos ao algodão seria anulada.Embora o texto fale também de uma eliminação dos subsídios à exportação, o acordo reconhece que uma data ainda terá que ser negociada para que os mecanismos sejam eliminados. A pedido da Europa, o texto condiciona a eliminação a um compromisso dos Estados Unidos de também reduzir seus créditos à exportação. Segundo o embaixador do Brasil em Genebra, Luis Felipe Seixas Correa, o G-20 (grupo de países emergentes) se reunirá na próxima terça-feira para debater que posição tomará em relação à proposta. Para o diretor da OMC, Supachai Panitchpakdi, "não se trata do fim das negociações, mas o texto estabelece fundações sólidas".

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