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OMC faz reunião para avaliar sinais de onda protecionista

Diplomatas vão discutir nesta segunda relatório que diz que países ignoraram apelo contra barreiras comerciais

Jonathan Lynn, da Reuters,

09 de fevereiro de 2009 | 10h57

Os países da Organização Mundial do Comércio (OMC) estão reunidos nesta segunda-feira, 9, para avaliar até que ponto a crise mundial está estimulando a prática do protecionismo. Diplomatas de países ricos e pobres devem discutir um relatório de janeiro do diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, segundo o qual os países em geral ignoraram o apelo feito em novembro pelo G-20 (grupo de países desenvolvidos e emergentes) contra o aumento das barreiras comerciais.  Veja também:Onda nacionalista ameaça trabalhador estrangeiro na EuropaDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise O debate desta segunda dará aos líderes do G20 mais embasamento para discutirem, na reunião de abril em Londres, as tendências protecionistas na promoção de exportações e na redução de importações, tanto entre os 153 países da entidade quanto entre aqueles que dela não participam, como a Rússia.  As barreiras comerciais destinadas a defender empregos podem agravar a recessão global se impedirem outros países de exportar, como já aconteceu durante a Grande Depressão, na década de 1930. O Brasil já disse que pode recorrer à OMC contra um plano dos Estados Unidos que obrigaria empresas norte-americanas que recebem ajuda governamental a priorizar fornecedores domésticos.  Lamy disse que, embora a crise de 2009 possa afetar todos os membros da OMC, os países em desenvolvimento ficarão especialmente vulneráveis, porque seu crescimento depende muito do comércio exterior, cuja desaceleração é atualmente a principal pressão negativa sobre o crescimento global.  Em suas últimas estimativas, o FMI projeta que o comércio mundial sofrerá retração de 2,8% neste ano, depois de registrar expansão de 7,2% em 2007 e 4,1% em 2008.  "Pressão dos pares"  O relatório da Lamy enfatiza as elevações tarifárias, mas também cita os pacotes de estímulo (para o setor automobilístico, por exemplo) que muitos países em desenvolvimento consideram como uma forma insidiosa de protecionismo, por favorecer indústrias nacionais com injeções de capital que os países mais pobres não podem equiparar.  O texto cita também os pacotes de resgates do setor financeiro, alertando que eles também podem resultar em distorções na competitividade entre instituições financeiras.  Uma questão a ser discutida na segunda-feira seria a demora dos países da OMC em anunciar suas medidas comerciais, o que dificulta a obtenção de um quadro completo e atualizado sobre o estado do comércio internacional.  "Um dos problemas ao tratar dos serviços é o déficit de informação a respeito do que os governos estão fazendo, o que os reguladores estão fazendo, que medidas estão sendo tomadas", disse Hamid Mamdouh, diretor de comércio na divisão de serviços da OMC, em entrevista coletiva na sexta-feira.  O relatório de Lamy provocou polêmica na OMC. A Bolívia argumentou que o diretor-geral excedeu suas atribuições ao prepará-lo, enquanto outros países disseram que a OMC tem a responsabilidade de monitorar as tendências do mercado.  O embaixador da Nigéria na OMC, Yonov Fred Agah, que preside a comissão responsável pelo evento, comparou essa avaliação a uma prática tradicional na África, em que suspeitos de cometer crimes são levados à praça da aldeia para se explicar.  "A pressão dos pares talvez ajude o sistema, em vez de qualquer um pensar: 'Posso fazer o que eu quiser'", disse ele à Reuters.

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