OMC: impasse na rodada de Doha prejudica o sistema

Os países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) precisam decidir como acabar com o bloqueio nas negociações de Doha quando eles se reunirem em dezembro, já que o impasse está prejudicando o próprio sistema, disse hoje o presidente da OMC, Pascal Lamy.

RENAN CARREIRA, Agencia Estado

19 de setembro de 2011 | 14h06

"Os (países) membros entenderam nos meses recentes que o impasse está afetando o sistema", disse Lamy, em um fórum da OMC. "Nós precisamos sair dessa situação, parar de passar a bola, deixar de culpar os outros." Ele afirmou ainda que a questão será discutida na reunião da OMC em dezembro e não descartou que se chegue a um acordo ou uma "Doha light". "Nós precisamos decidir (na reunião) como lidar com essa situação ao longo dos próximos dois anos", disse Lamy. "A OMC é pragmática. Digamos que um acordo de 80% não é tão ruim."

Lamy informou que o principal ponto de discórdia é entre mercados emergentes e desenvolvidos. "Se os países membros querem que os mercados emergentes tenham mais responsabilidade, eles devem colocar algo na mesa", disse. "É o ''em troca de'' que ainda precisa ser decidido", explicou.

O presidente da OMC afirmou que a organização vê a possibilidade de retorno da recessão global, junto com a ameaça de países se fecharem ao comércio. "Há um risco de recessão novamente", afirmou Lamy. "Pressões protecionistas vão retornar."

Lamy disse que não é papel da OMC discutir questões sobre o mercado internacional de divisas, cuja atribuição é do Fundo Monetário Internacional (FMI). Entretanto, ele afirmou que a situação na Europa é um assunto da OMC. "É uma preocupação de todos", afirmou, ao ser perguntado sobre a crise da dívida na zona do euro. "Os países se endividaram demais." As informações são da Dow Jones.

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