OMC não fecha acordo para a próxima negociação

A Organização Mundial do Comércio deve fracassar na tentativa de chegar à reunião ministerial de Cancún, em setembro, com algum entendimento entre os países. Hoje, os diplomatas dos 145 países concluíram os dois anos de trabalhos em Genebra sobre temas como agricultura, serviços, investimento e bens industriais sem encontrar um consenso e sem adotar um texto base para as negociações.O presidente do Conselho Geral da entidade, o uruguaio Carlos Peres del Castillo, informou que irá submeter aos ministros na cidade mexicana o atual texto produzido por ele. Mas por insistência do Brasil e de outros países em desenvolvimento, o documento virá com uma carta explicando que não há consenso e que outras propostas, inclusive a brasileira, precisam ser consideradas. "Deixei claro que não endossamos o texto e que ele não é reconhecido como base para as negociações em Cancún", afirmou o embaixador do Brasil em Genebra, Luiz Felipe de Seixas Correa.Segundo o Brasil, o principal problema do texto de Castillo se refere ao setor agrícola, já que nem todos os subsídios serão eliminados com o acordo. Já no setor de bens industriais, o texto exige cortes em barreiras por parte de todos, inclusive por países pobres. Para o negociado brasileiro, a proposta incorpora apenas as preocupações dos Estados Unidos e União Européia (UE) e não a que foi formulada pelo grupo formado por Brasília, Pequim e Nova Déli.O presidente do Conselho Geral garantiu nesta quarta-feira que todas as propostas estarão sobre a mesa em Cancún. O principal negociador dos Estados Unidos na OMC, Peter Allgeier, reconheceu que as posições ainda estão muito distantes e que espera que o Brasil e os demais países apresentem propostas "construtivas" para garantir um sucesso em Cancún. "A responsabilidade é coletiva", afirmou. O embaixador da UE em Genebra, Carlos Trojan, afirmou que está "satisfeito" com o texto apresentado Castillo.

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