OMC não vai solucionar disputa do aço no longo prazo, diz diretor

O próximo diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi, alerta aos países afetados pelas barreiras dos Estados Unidos ao aço - entre eles o Brasil -, que a OMC não irá solucionar a disputa a longo prazo. Em março, a Casa Branca decidiu estabelecer uma sobretaxa de até 30% sobre as importações de aço, alegando que a entrada de produtos estrangeiros estaria levando a indústria nacional à falência. O resultado foi um prejuízo para muitos países que contam com as exportações de aço para equilibrar suas balanças comerciais. No caso do Brasil, a perda anual deverá ser de US$ 400 milhões. Diante dos prejuízos, 29 países recorreram à OMC para pedir que a entidade decidisse se as barreiras são, ou não, legais. O processo está em andamento em Genebra, mas Supachai acredita que, mesmo diante de uma possível condenação, o tema não estará solucionado. O problema é que, diante de uma obrigação para retirar as barreiras, tudo indica que as empresas norte-americanas mais uma vez vão se sentir afetadas e irão pressionar o governo para salvá-las. Na avaliação de Supachai, uma solução definitiva seria um acordo entre os produtores de aço de todo o mundo, no âmbito da OCDE (grupos dos países desenvolvidos), que pudesse estabelecer as regras de produção e comercialização da mercadoria. O vice-diretor de Comércio da União Européia, Roderick Abbott, concorda com Supachai, mas ressalta que o bloco europeu continua ameaçando retaliar os Estados Unidos se as barreiras não forem retiradas. "A guilhotinha continua sobre a cabeça dos norte-americanos", afirma.

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 11h50

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