ALAOR FILHO | ESTADÃO
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OMC pede que governos 'conversem' para evitar barreiras comerciais

Apelo ao diálogo vem após confirmação do presidente americano, Donald Trump, confirmar tarifa para o aço

Jamil Chade, Correspondente, O Estado de S.Paulo

09 Março 2018 | 07h58

GENEBRA - A Organização Mundial do Comércio (OMC) pede que governos "reflitam", "conversem" e evitem a adoção de barreiras comerciais. A declaração, uma repetição do que já foi anunciado no começo da semana, foi feita depois da decisão do governo de Donald Trump de ir adiante com as barreiras ao aço e alumínio, anunciadas nesta quinta-feira, 8, pela Casa Branca.

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Recuperando uma declaração já feita pelo diretor-geral da OMC, Roberto Azevedo, a entidade insistiu na necessidade de manter o diálogo entre os governos com o objetivo de se evitar uma guerra comercial.

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"Está claro que vemos um risco muito maior e claro de iniciar uma escala de barreiras comerciais pelo mundo", disse Azevedo. "Não podemos ignorar esse risco e pedimos a todos que considerem e reflitam sobre essa situação de forma cuidadosa", completou.

Daniel Pruzin, assessor de imprensa da OMC, confirmou que o tom é o de um apelo ao diálogo. "Ainda há tempo para conversar", disse. "A medida só entra em vigor em 15 dias", apontou. Segundo ele, o diálogo pode ocorrer nos comitês da OMC e, mesmo depois que uma queixa formal seja lançada, as conversas podem continuar.

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Azevedo estará em Brasília para uma reunião com o presidente Michel Temer na segunda-feira, 12, e, de lá, segue para São Paulo. Ele vem insistindo no impacto que a medida americana e as respostas dos parceiros comerciais poderiam ter.

"Uma vez que entremos nesse caminho, será muito difícil reverter a direção", disse Azevedo. "Olho por olho deixará todos nós cegos e o mundo em uma profunda recessão", afirmou o brasileiro. 

"Temos de fazer todos os esforços para evitar ver o primeiro dominó cair. Ainda há tempo", disse o diplomata. Na OMC, jamais um governo deixou a entidade, mas o processo para uma retirada de um país poderia durar pelo menos seis meses.

Crítica. O governo da Alemanha criticou de forma áspera as tarifas sobre a importação de aço e alumínio oficializadas pelos Estados Unidos e chamou a medida de "ilegal". "Recebemos essa decisão com preocupação", disse o porta-voz da chanceler Angela Merkel, Georg Streiter. 

Ele pontuou que a União Europeia vai se posicionar conjuntamente contra as tarifas. Já o Ministério da Economia alemão afirma que o objetivo do país é evitar o agravamento da situação e uma guerra comercial.

Enquanto isso, a associação da indústria automobilística alemã VDA que a Europa deve ser decisiva, mas equilibrada em reação à decisão protecionista do presidente dos EUA, Donald Trump. O diretor da entidade, Bernhard Mattes, acredita que a Organização Mundial do Comércio (OMC) deva ser a referência para o debate em torno da tarifação./COM DOW JONES NEWSWIRES

 

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