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OMC precisa de compromisso sobre redução de subsídios

Mesmo que não consiga produzir um calendário para a redução dos subsídios que distorcem o comércio internacional de produtos agrícolas, a reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC) que se realiza em Cancún, no México, precisa pelo menos estabelecer compromissos claros de que se vai caminhar nesse sentido, sob pena de fracassar. Esta é a avaliação feita na manhã de hoje pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, poucas horas antes da divulgação do documento que iria servir de base para as negociações entre os 140 países que participam do encontro.Falando a jornalistas brasileiros por telefone, Rodrigues disse que, diante das divergências manifestadas até na sexta-feira entre as principais partes envolvidas nas discussões - Estados Unidos, União Européia e o grupo de países em desenvolvimento reunidos no chamado G-21 - o que se pode esperar como resultado da reunião, que termina amanhã, é um documento genérico, sem referências concretas sobre quanto e quando os subsídios serão abolidos. Ele observou, no entanto, que será um avanço se houver clareza, no texto, de que haverá a eliminação dos subsídios. "É preciso que se diga claramente que os subsídios serão eliminados, mesmo que o prazo em que isso vá ocorrer fique indefinido", disse o ministro. Segundo ele, o Brasil e os demais países em desenvolvimento também não abrem mão de outros três pontos: a redução das tarifas de importação de produtos agrícolas dos países ricos, a limitação dos casos em que determinados tipos de subsídios a produtores rurais são aceitos, e o fim da chamada Clásula de Paz, um dispositivo que permite a manutenção de subsídios sem contestação na OMC. Para Rodrigues, um dos ganhos obtidos nessa rodada de negociações foi o apoio de segmentos expressivos da opinião pública mundial às reivindicações do G-21 por maior acesso ao mercado agrícola dos países ricos. "A posição de liderança do Brasil também se consolidou", disse. Ele observou ainda que as duras críticas feitas ao grupo, que tem o Brasil como um dos seus porta-vozes, não conseguiram abalar a coesão dos países em desenvolvimento. tanto que, até a noite de sexta-feira, países como Turquia e Zâmbia haviam manifestado sua adesão. "Acho que agora somos o G-25", disse o ministro, sem saber exatamente o número de integrantes do grupo. Nos últimos dias, havia informações de que os Estados Unidos estavam propondo entendimentos bilaterais com países como Costa Rica e El Salvador numa tentativa de dividir a posição das nações em desenvolvimento.Protesto Bem humorado, Rodrigues contou ainda como escapou de um ataque de manifestantes contrários à globalização, num intervalo entre as reuniões de que participou. Ele disse que, ao sair de um encontro com organizações não governamentais, na sexta-feira, foi abordado por um manifestante que pediu que ele baixasse o vidro do carro, como se quissesse conversar. Entretamto, mandou o motorista seguir adiante. Em seguida, o que parecia ser um saco pláticos com excrementos estourou no pára-brisa. "Se eu tivesse baixado o vidro estaria hoje nas fotos de jornais de todo o mundou", disse, aliviado.

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