OMC pressiona para País abrir setores industrial e serviços

Negociações entraram nesta semana em sua fase mais crítica desde seu lançamento, em 2001. Governos têm até o início de julho para chegar a um acordo

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 16h47

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, alerta que, para que o Brasil consiga uma ampla liberalização no setor agrícola dos países ricos ao final da Rodada Doha, deverá se preparar também para ceder em outras áreas, como comércio de bens industriais e serviços. "Espero que o Brasil continue pressionando por um resultado ambicioso nas negociações. Mas sabendo que terá de pagar um preço por isso", afirmou Lamy à Agência Estado.As negociações da OMC entraram nesta semana em sua fase mais crítica desde seu lançamento, em 2001. Os governos têm até o início de julho para chegar a um acordo. Caso contrário, o risco é o de que o processo seja congelado e uma nova negociação seja retomada apenas em 2009. Isso porque vence, nas próximas semanas, a autorização do Congresso americano para que a Casa Branca continue a negociar acordos comerciais sem que os parlamentares possam alterar o que foi acertado .Sem tal autorização, apenas um novo presidente americano poderia obter um novo mandato. Para evitar o pior, os quarto principais atores das negociações estão reunidos em Paris desde ontem para tentar chegar a um acordo (ler mais abaixo). As reuniões continuarão na semana que vem na cidade alemã de Potsdam.PedidosO Brasil já indicou que está disposto a reduzir parte de suas tarifas para a importação de bens industriais, caso tenha ganhos no setor agrícola. Mas terá de ajustar sua posição à dos demais governos do Mercosul, já que o bloco tem uma tarifa externa comum. Os argentinos, em pleno processo de reindustrialização de sua economia, defendem cortes de no máximo 50% das tarifas. Já os países ricos querem que os emergentes reduzam em 70% suas tarifas. Lamy disse que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Rodada Doha durante a reunião do G-8 (grupo dos países industrializados mais a Rússia), na semana passada. "Ele (Lula) estava muito entusiasmado para que o processo avançasse e espero que continue assim", relatou Lamy.A OMC não fez parte da agenda central do G-8, mas foi debatido entre os chefes de Estado. Nicolas Sarkozy, o novo presidente francês, aproveitou o encontro para deixar claro ao presidente americano, George W. Bush, que iria lutar por seus interesses na Rodada Doha. Ele ainda afirmou que, nessa fase das negociações, a "ingenuidade" não pode fazer parte do processo.

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