OMC prevê crescimento menor do comércio mundial

Desaquecimento da economia norte-americana no fim deste ano leva Organização a reduzir estimativas

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

04 de dezembro de 2007 | 15h59

A Organização Mundial do Comércio (OMC) revê para baixo o crescimento do comércio mundial em 2007 e alerta para os riscos de um ressurgimento de medidas protecionistas. A projeção inicial seria de uma alta de 6% em volume. Mas, com o desaquecimento na economia americana nos últimos meses do ano, os números devem ficar abaixo do índice previsto.  As novas projeções indicam um crescimento que ficaria entre 5% e 5,5%. Em 2006, o crescimento em volume havia sido de 8%. Para 2008, o clima ainda é de cautela, com números parecidos aos de 2007 e distante das taxas dos últimos anos, como em 2005 com crescimento de 10%.  "Foi um pouco alto demais a nossa previsão inicial para 2007", afirmou Patrick Low, diretor do departamento de pesquisas da OMC e que participou nesta terça-feira, 4, do lançamento de um relatório para comemorar os 60 anos da criação do atual sistema multilateral do comércio. No total, as exportações mundiais atingiram US$ 11,7 bilhões em 2006, com um crescimento nominal de 15%.  Segundo dados da OMC, o comércio no primeiro semestre cresceu acima de 6%. Mas a desaceleração no segundo semestre e principalmente nos três últimos meses do ano devem ser sentidas. O maior consumidor do mundo - os Estados Unidos - teve um crescimento de suas importações em apenas 4% nos nove primeiros meses do ano, contra um crescimento de 11% em 2006. Para a OMC, já está claro que os americanos não terão em 2007 e possivelmente em 2008 o mesmo papel no crescimento da economia mundial e do comércio como tiveram no passado. Para os economistas na OMC, a questão é saber se o consumo na China, Índia e outros mercados emergentes serão suficientemente fortes para contrabalançar a queda americana. Mas dados preliminares já indicam que as importações da China também devem ser afetadas em especial pelos altos preços do petróleo e das commodities.  Protecionismo Com a economia mundial em um momento de incertezas, o diretor da OMC, Pascal Lamy, fez questão de advertir para os riscos de os governos adotarem novas barreiras ao comércio. "Temos de ficar atentos à pressão protecionista. Hoje, esse protecionismo pode ter efeitos catastróficos, ainda que eu confie na capacidade de líderes e sociedade em respeitar as regras (do comércio)", afirmou.  As declarações foram feitas no dia seguinte aos comentários da candidata à Presidência norte-americana, Hillary Clinton, que afirmou que, se eleita, iria reavaliar a necessidade de seguir negociando uma abertura comercial na Rodada Doha.  Lamy destacou que existe uma tendência de alguns líderes em jogar aos demais a culpa por problemas "que na realidade são seus" e insinuou que algumas declarações para atender ao eleitorado não estão baseadas na realidade. "O que eu ouço dos Estados Unidos é de que o governo acredita ser desejável e possível um acordo ainda em 2008", afirmou Lamy. Seu cronograma prevê, de fato, o fim da Rodada ainda durante a administração de George W. Bush.  "Mas sei que comércio é parte de debate político doméstico e que esse debate está se aquecendo", disse. "Só posso dizer que a abertura das economias é eficiente e que significa a criação de riqueza. Essa é a ideologia que os membros da OMC compartilham", afirmou. Lamy ainda lembrou do efeito dominó que teve o protecionismo nos ano 30, antes da Segunda Guerra Mundial e com "conseqüências catastróficas". "Hoje, não podemos comparar e nem estou dizendo que foi o protecionismo que gerou a guerra. O mundo hoje está infinitamente mais globalizado. Mas temos de ficar atentos", dis

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