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OMC prevê maior queda do comércio desde a 2ª Guerra

Relatório antecipa recuo de 9% no volume de importações e exportações

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

O comércio mundial terá em 2009 a maior queda desde o fim da 2ª Guerra Mundial, enquanto as medidas protecionistas se proliferam. O alerta é da Organização Mundial do Comércio (OMC), que ontem divulgou relatório com previsão de queda de 9% no volume de importações e exportações. A falta de demanda e o recuo nas linhas de crédito afetará economias em todo o planeta. Para o Brasil, as projeções são sombrias. Com a queda nos preços de commodities e a retração dos mercados da Europa e dos Estados Unidos, as previsões são de que o País deve ser um dos mais afetados.A OMC classifica a queda mundial como "colapso" e alerta que os países emergentes sofrerão redução de até 3% nas exportações em 2009. Para os países ricos, a queda será de 10%. Para Pascal Lamy, diretor da OMC, a reunião do G-20 em Londres, será uma oportunidade para que as maiores economias mostrem compromisso contra o protecionismo. "O comércio pode ser uma ferramenta poderosa para levantar a economia mundial." Em valores, as quedas de exportações são profundas, chegando a mais de 40% para países como Coreia do Sul e Japão. A OMC ainda anunciou revisão dos dados de 2008. A expansão não foi de 4,5%, como se previa, mas de apenas 2%. Para 2009, a previsão era de queda de 3%. Agora, verifica-se que a crise é mais profunda. Em 2007, a expansão do comércio foi de 6%. A média entre 1998 e 2007 foi de 5,7% de crescimento.Em dólares, as exportações atingiram US$ 15,8 trilhões, 15% acima de 2007. Parte da alta ocorreu apenas pela alta dos preços de commodities. Agora, a queda do comércio deve atingir os países que mais dependiam de mercados externos. Em algumas economias, o comércio exterior significa mais de 50% do PIB, como na Ásia.Segundo Lamy, o comércio superou o crescimento do PIB nos últimos 30 anos. Mas a queda da demanda mundial está tendo "efeito multiplicador" nas exportações. Para completar, a falta de US$ 100 bilhões em linhas de crédito está tornando o comércio de países em desenvolvimento ainda mais difícil. Se a crise for ainda pior, a OMC não descarta rever novamente os números.O impacto direto da queda das exportações é o aumento do desemprego. "Governos precisam evitar que a situação fique ainda pior. Por isso, não devem usar medidas protecionistas, sob o risco de perder ainda mais empregos", disse Lamy. A previsão da OMC é baseada numa queda da economia mundial de 1% a 2% em 2009. "Essa é a primeira queda no total da produção mundial desde 1930 e tem um impacto maior no comércio", diz o relatório. A OMC admite que os países emergentes não sairão ilesos da crise. Nem a China será poupada. Janeiro registrou a pior queda do comércio do país desde o início da abertura da China para o mundo, há 25 anos. Em fevereiro, a queda foi de 26%.

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