OMC quer movimento concreto da Europa na agricultura

O diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi, e o ministro brasileiro das relações exteriores, Celso Amorim, depois de um encontro hoje pela manhã, em Genebra, reforçaram que a reforma recente aprovada pelos 15 países da União Européia (UE) da Política Agrícola Comum (PAC) abre possibilidades para flexibilidade em certos setores, mas ainda não está claro "como essa reforma será traduzida em termos" práticos para o avanço da Rodada do Desenvolvimento, que tem a questão agrícola como um dos temas principais da Agenda. "Nós ainda estamos preocupados com a falta de movimentos nas negociações multilaterias", disse Supachai ao terminar o encontro com Amorim. Ele reiterou que Genebra "recebeu bem a mudança da UE, mas ainda não viu como a reforma da PAC será traduzida" para o avanço da Rodada. Já o ministro brasileiro reforçou a idéia falando que depois do Egito, "tudo estava bloqueado" - em referência ao encontro do fim de junho de 30 países em Sharm El-Sheik para tentar desbloquear as negociações da OMC- , e "agora, há algumas incógnitas", depois de aprovada a reforma da PAC. "É melhor termos incógnitas do que uma situação de bloqueio, mas ainda precisamos de respostas", reiterou Amorim. Ele acrescentou que o Brasil pretende pedir uma reunião bilateral com a UE para "explorar" melhor como a reforma da PAC pode ser traduzida em números práticos para o País. O Brasil precisa fazer uma profunda análise sobre o impacto da reforma agrícola européia e obviamente, a UE ainda deve dizer como essa reforma será revertida em números para as diferentes áreas, disse o ministro. Mas, "no mínimo é uma indicação de avanço" no campo multilateral, falou Amorim. Supachai falou ainda que a participação do Brasil, "um ator chave" no processo, é "determinante para o futuro das negociações" em várias áreas, principalmente nos temas de desenvolvimento, acesso a medicamento aos países pobres e ainda, acesso aos mercados agrícolas.

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