OMC recebe denúncia contra o protecionismo norte-americano ao aço

O Brasil e outros 28 países apresentaram hoje à Organização Mundial do Comércio (OMC) documentos que comprovariam que os Estados Unidos violam as regras internacionais de comércio ao aplicar barreiras de importação ao aço. Em uma reunião de mais de oito horas com os árbitros da OMC, os países ainda pressionaram os norte-americanos a apresentar os motivos legais que os levaram a aplicar a medida protecionista.Em março deste ano, a Casa Branca aplicou uma tarifa de até 30% sobre as importações de produtos siderúrgicos de todo o mundo. A decisão foi tomada diante de um suposto prejuízo que as empresas do país teriam com a entrada de aço estrangeiro. A medida, segundo explicou a administração do presidente George W. Bush, teria como objetivo salvar o setor siderúrgico norte-americano da falência.Mas a medida protecionista causou a irritação de muitos países, inclusive dos aliados dos Estados Unidos, como a União Européia (UE). Diante das barreiras, países como a China, Suíça, Japão, Coréia, Nova Zelândia, a UE e o Brasil decidiram pedir a intervenção da OMC para julgar se a atitude norte-americana estaria violando as regras do comércio internacional.O Brasil alega que as perdas apenas em 2002 com as barreiras norte-americanas podem ultrapassar US$ 400 milhões. Os países argumentaram que para ter colocado a salvaguarda, a Casa Branca teria que provar que houve um crescimento súbito e recente das importações de aço. Além disso, o governo Bush teria que mostrar evidências de que é a entrada de produtos estrangeiros que estaria provocando a falência das empresas locais.Nos discursos de cada um dos países, o grupo mostrou que não houve um crescimento nas importações de aço dos Estados Unidos e que, ao contrário do que informa a Casa Branca, não é o comércio exterior que estaria causando danos à indústria, mas a falta de inovação tecnológica do setor que está impedindo que possa competir com o aço de outros países.As reuniões na OMC continuam nesta quarta-feira e a expectativa dos diplomatas brasileiros é que os norte-americanos dêem indicações das bases legais que justificaram as barreiras ao aço. Diante da explicação de Washington, os árbitros da OMC irão decidir se a medida viola ou não as regras internacionais do comércio.

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