OMC reconhece que abertura não garante resultados positivos

Pela primeira vez, em um documento oficial, a Organização Mundial do Comércio (OMC) reconhece que uma abertura econômica pode ter efeitos negativos para os países em desenvolvimento. Em seu relatório anual publicado ontem em Genebra, a OMC aponta que a liberalização comercial nem sempre pode gerar o desenvolvimento de um país e, em alguns casos, pode até mesmo agravar as desigualdades sociais, como na América Latina. Para a OMC, porém, esses fatores não querem dizer que a abertura não seja positiva, mas que deve ser seguida por medidas como a melhoria de infra-estrutura e outras políticas que permitam o crescimento do país. Segundo a OMC, países como o Chile, Argentina e Costa Rica promoveram liberalizações nos anos 70 e 80 que resultaram em um aumento das disparidades de renda da população. "Nem todo o mundo se beneficia de liberalização. Alguns precisam se ajustar", afirma o documento. A OMC, porém, lembra que existem casos concretos de países que tiveram sucesso com a abertura, entre eles a China e a Malásia. Nesses casos, a desigualdade de renda diminuiu depois que as economias foram abertas. O que a OMC não revela, porém, é que esses países venderam caro sua liberalização e apenas aceitaram abrir seus mercados com garantias de que se beneficiariam. Para a OMC, as vantagens da liberalização não param por ai. A abertura comercial também gera o maior controle sobre a corrupção nos países. Segundo o relatório anual da OMC, existem indícios claros de que investimentos e crescimento estão relacionados com a percepção sobre a corrupção em um determinado país. "Economias mais abertas tendem a ter maior controle sobre corrupção", afirma o estudo.

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