OMC revê expansão do comércio em 2007

Projeções recuam de 6% para 5% a 5,5%, por causa da crise nos EUA

Jamil Chade, Genebra, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

A Organização Mundial do Comércio (OMC) revê para baixo o crescimento do comércio mundial em 2007 e alerta para os riscos de um ressurgimento de medidas protecionistas. A projeção inicial seria de alta de 6% em volume. Mas, com o desaquecimento na economia americana nos últimos meses, os números devem ficar abaixo do índice previsto. As novas projeções indicam um crescimento entre 5% e 5,5%. Em 2006, o aumento em volume havia sido de 8%. Para 2008, o clima ainda é de cautela, com números parecidos com os de 2007 e distante das taxas dos últimos anos, como em 2005 com crescimento de 10%. "Foi um pouco alta demais a nossa previsão inicial para 2007", disse Patrick Low, diretor do departamento de pesquisas da OMC, que ontem participou do lançamento de um relatório para comemorar os 60 anos do atual sistema multilateral do comércio. No total, as exportações mundiais atingiram US$ 11,7 bilhões em 2006, com crescimento nominal de 15%. Segundo dados da OMC, o comércio no primeiro semestre cresceu acima de 6%. Mas a desaceleração no segundo semestre e principalmente nos três últimos meses do ano deve ser sentida. O maior consumidor do mundo - os Estados Unidos - teve um crescimento de suas importações em apenas 4% de janeiro a setembro, ante 11% em 2006. Para a OMC, já está claro que os americanos não terão em 2007 e possivelmente em 2008 o mesmo papel na expansão da economia mundial e do comércio como no passado. Para os economistas na OMC, a questão é saber se o consumo na China, Índia e em outros mercados emergentes será suficientemente forte para contrabalançar a queda americana. Mas dados preliminares já indicam que as importações da China também devem ser afetadas em especial pelos altos preços do petróleo e das commodities. PROTECIONISMOCom a economia mundial em um momento de incertezas, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, advertiu para os riscos de os governos adotarem novas barreiras ao comércio. "Temos de ficar atentos à pressão protecionista. Hoje, esse protecionismo pode ter efeitos catastróficos, ainda que eu confie na capacidade de líderes e sociedade em respeitar as regras (do comércio)." As declarações foram feitas no dia seguinte aos comentários da pré-candidata à presidência americana, Hillary Clinton. Ela afirmou que, se eleita, iria reavaliar a necessidade de seguir negociando uma abertura comercial na Rodada Doha. Lamy destacou que existe uma tendência de alguns líderes em jogar aos demais a culpa por problemas "que na realidade são seus" e insinuou que algumas declarações para atender ao eleitorado não estão baseadas na realidade. "O que eu ouço dos Estados Unidos é de que o governo acredita ser desejável e possível um acordo ainda em 2008." Seu cronograma prevê, de fato, o fim da Rodada ainda durante a administração de George W. Bush. "Mas sei que comércio é parte de debate político doméstico e esse debate está se aquecendo", disse Lamy. "Só posso dizer que a abertura das economias é eficiente e significa a criação de riqueza. Essa é a ideologia que os membros da OMC compartilham." Lamy ainda lembrou do efeito dominó que teve o protecionismo nos ano 30, antes da 2ª Guerra Mundial e com "conseqüências catastróficas". "Hoje, não podemos comparar, nem estou dizendo que foi o protecionismo que provocou a guerra. O mundo hoje está infinitamente mais globalizado. Mas temos de ficar atentos."

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