OMC volta a se reunir amanhã em Genebra

Pouco mais de um mês depois da reunião de Cancun, a Organização Mundial do Comércio (OMC) volta a se reunir amanhã em Genebra para tentar encontrar um novo rumo para as negociações. Mas, por enquanto, o jogo de poder está falando mais alto que qualquer tentativa de aproximação entre as posições. O grupo formado por Brasil, Índia e China, até pouco tempo conhecido como G-22, continua a perder adeptos diante da pressão dos Estados Unidos e, para o encontro de hoje, deverá contar com apenas 17 membros. Depois da saída da Colômbia, Peru, Costa Rica e Guatemala, é a vez do Equador dar sinais de que poderá deixar o grupo. Curiosamente, os equatorianos chegaram a fazer parte da conferência de imprensa, ao final da reunião de Cancun, em que o G-22 garantiu que se manteria unido nas negociações. Mas a perda de membros entre o ex-G-22 não é o único problema. A União Européia (UE) insiste que a negociações que seriam restabelecidas hoje não poderão partir do mesmo ponto que foram abandonadas em Cancun. Brasil e outros países em desenvolvimento vão deixar claro que essa proposta não é aceitável. PedágioOutro obstáculo que ainda terá que ser superado é o "pedágio" que os norte-americanos pretendem cobrar dos países em desenvolvimento para que deixem de bloquear as negociações. O Itamaraty acredita que Washington pedirá que esses governos passem a aceitar a negociações de temas como investimentos e liberalização de serviços para que o processo possa avançar. O preço cobrado tem um motivo. A administração de George W. Bush, em plena campanha para as eleições em 2004, fará de tudo para conseguir ganhos comerciais nos próximos meses e para demonstrar aos seus eleitores que está lutando pelos interesses dos diferentes grupos. Resta saber se diante de tantas posições intransigentes, a OMC conseguirá concluir sua rodada com novas leis comerciais que promovam o desenvolvimento dos países mais pobres.

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