Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Relatório sobre câncer não pede que pessoas parem de comer carnes processadas, diz OMS

Organização Mundial da Saúde afirma que documento somente aconselha o consumo moderado de carne em conserva

Renato Oselame, O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2015 | 16h30

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu comunicado na quinta-feira, 29, esclarecendo que o relatório da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (Iarc) não pede para que pessoas parem de comer carnes processadas. Na nota, a instituição ressalta que o documento indica que "reduzir o consumo destes produtos pode minimizar os riscos de câncer colorretal". O relatório foi produzido a partir de pesquisa sobre a ligação entre o consumo de carne vermelha e processada e a incidência da enfermidade em seres humanos.

"A avaliação da Iarc confirma a recomendação feita pela OMS em 2002 no relatório 'dieta, nutrição e a prevenção de doenças crônicas', que aconselha pessoas a moderarem o consumo de carne em conserva para reduzir o risco de câncer", afirma a organização internacional. A OMS ressalta que dispõe de um grupo de especialistas que avaliam regularmente as ligações entre dietas e enfermidades e que no início de 2016 os estudiosos vão estudar implicações para a saúde pública à luz das últimas pesquisas. O objetivo é colocar as carnes processadas e vermelha em perspectiva, dentro de uma dieta que, no geral, é tida como saudável.

O fato de que a pesquisa da OMS isolava o hábito de consumo e o ligava ao câncer foi criticado por produtores nos Estados Unidos. A Associação Nacional da Carne Bovina e dos Pecuaristas (NCBA, na sigla em inglês) buscou pesquisadores para contestar o resultado. "Dadas as fracas associações em estudos em humanos e a falta de evidências em pesquisas com animais, é difícil reconciliar com o voto do comitê", afirma o toxicologista nutricional, James Coughlin, em nota da NCBA. "Dos mais de 900 itens que a Iarc analisou, incluindo café, luz solar e jornadas de trabalho noturnas, eles encontraram apenas um elemento que 'provavelmente' não causa câncer, segundo o seu próprio sistema de classificação", acrescenta. 

BRF. O presidente da BRF, Pedro Faria, avaliou o estudo não deve afetar o consumo dos produtos da empresa. "Não somos técnicos, mas o próprio autor relativiza bastante o que é o risco dos processados", afirmou. "Temos orgulho de produzir alimentos saudáveis." Para Faria, o estudo joga nova luz sobre o setor e contribui para novas pesquisas. Na segunda-feira (26), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também afirmou que os produtos cárneos processados feitos no Brasil são seguros e seguem as mais rígidas normas internacionais de segurança alimentar. (Colaborou Camila Turtelli)

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