Onda de ações ameaça crédito para veículos

Uma nova onda de processos judiciais ameaça encarecer e tornar escasso justamente o crédito ao consumidor mais barato no Brasil, o financiamento de veículos. O alerta é do vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), José Luiz Acar."A tendência está concentrada principalmente no Rio Grande do Sul, mas já se espalha por outros lugares do País."A "indústria das revisionais" consiste em advogados que se oferecem para contestar os juros do financiamento na Justiça, aproveitando o caráter social de muitos juízes, diz a advogada Elizete Scatigna, especialista nesse tipo de processo, da Carvalho Advogados.De recurso em recurso, depois de dois anos, em média, o processo chega ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o consumidor, em geral, perde a causa por força da jurisprudência. "No fim, ele fica com uma dívida enorme porque deixou de pagar as prestações e quem ganha são os advogados."Ela ressalva que a contestação de juros é um recurso legítimo, mas o consumidor deve avaliar bem a situação para não ser usado por oportunistas. "Atualmente, em Porto Alegre, de cada dez contratos de financiamento de veículos, seis estão sendo contestados", diz a advogada. "Há uma pessoa movendo 13 ações revisionais."Com isso, as vendas de motocicletas já caíram cerca de 30% nos últimos meses em Porto Alegre. A constatação é de gerentes de diferentes lojas, como Sandro Py, da Motoryama, representante da Yamaha em Porto Alegre e Canoas, e Andréa Möller, gerente da Comoto, revendedora da Honda em Novo Hamburgo e Caxias do Sul. E os bancos exigem entrada de pelo menos 20%.A moda começou em 2003 em Goiânia e depois migrou para o Sul. Cidades como Salvador e Fortaleza também já registram aumento no número de processos.

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