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Onda de calor acende discussão sobre ar-condicionado mais econômico e menos poluente

Segundo estudo, uso de aparelhos mais eficientes poderiam evitar a emissão de 6,7 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera em 15 anos

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 13h10

Rio - O aumento da temperatura global vai elevar o uso do ar-condicionado no mundo todo, incluindo o Brasil, o que torna necessária a produção e comercialização de aparelhos mais eficientes no País, de acordo com um estudo do Instituto Escolhas. Se novos padrões de fabricação e mudanças na política industrial fossem promovidas, poderia haver economia no consumo de energia de até 87,9 mil gigawatts-hora (GWh) no acumulado até 2035, ou 64% de todo o consumo residencial em 2018. Isso evitaria emissões de 6,7 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera - o que equivale a retirar da frota brasileira 2,3 milhões de veículos por ano.

"O Brasil não dispõe de aparelhos de ar-condicionado que protejam o bolso dos consumidores quando chega a conta de luz. Os fabricantes e o governo precisam oferecer soluções para garantir que o mercado disponha de aparelhos que consumam menos energia. Isso é urgente para melhorar a vida das pessoas em razão das temperaturas cada vez mais elevadas, que vão transformando nossas cidades em verdadeiras sucursais do inferno", diz Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas.

A redução das emissões de CO2 levam em conta a expectativa de crescimento anual de 3% nas vendas de ar condicionado no Brasil, percentual que poderia aumentar com uma eventual melhora do poder aquisitivo do brasileiro. 

Segundo o especialista em eficiência energética Roberto Lamberts, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em recente webinar, o aumento do uso do ar condicionado já está no radar da Agência Internacional de Energia (AIE), e não será diferente no Brasil.

"A AIE já colocou o que vai ser o problema dos próximos anos. Os países que estão se desenvolvendo, estão comprando ar-condicionado e vão comprar muito mais. Quando se analisa a pesquisa de posses e hábitos, a gente vê que está muito ligada à renda. Assim que a renda eventualmente subir, as pessoas vão comprar ar condicionado assim que puderem. No Norte e Nordeste deveremos ver um crescimento muito significativo."

No Brasil, a participação do uso do ar-condicionado na conta de luz representava 14% em 2018, contra 6,7% em 2005, segundo estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A tendência, segundo o estudo, é de crescimento pela busca do conforto do resfriamento do ambiente, tanto residencial como comercial. Segundo a EPE, novos índices mínimos de eficiência para os aparelhos podem gerar economia no consumo de energia de 136 mil gigawatts-hora (GWh) em 2030. Ainda segundo o estudo, entre 2005 e 2017, o consumo de energia elétrica em todo o setor residencial brasileiro cresceu algo próximo a 61%, enquanto o consumo devido aos condicionadores de ar teve expressivo aumento de quase 237%.

Recentemente, o Inmetro modificou a exigência para etiquetagem dos aparelhos de ar condicionado, aumentando as exigências dos fabricantes para receber a classificação máxima "A", de menos impacto ambiental, mas não houve alteração na política industrial em relação às montadoras instaladas na Zona Franca de Manaus (ZFM), onde a maior parte dos aparelhos comercializados no País são fabricados para se beneficiar de incentivos fiscais. Ou seja, se não houver mudança na política industrial, não haverá o que etiquetar com a nova classificação, afirma Gabriel Kohlmann, gerente de Projetos e Produtos do Escolhas.

Os índices mínimos de eficiência dos aparelhos de ar-condicionado foram introduzidos no Brasil em 2007 e passaram por três revisões (2011, 2018 e 2020).

Além da necessidade de uma nova métrica, que inclui variações sazonais e diversas condições operacionais, o Escolhas considera fator imprescindível para adequação aos padrões internacionais de eficiência de energia do ar-condicionado atrelar os benefícios fiscais concedidos às montadoras da ZFM à fabricação de aparelhos mais eficientes.

"O parque industrial da ZFM não está preparado para os novos parâmetros de eficiência energética dos aparelhos, o modelo ficou disfuncional", diz Gabriel Kohlmann, gerente de Projetos e Produtos do Escolhas. "Nossa proposta é de que haja flexibilização do PPB (Processo Produtivo Básico) dessas fabricantes para permitir a importação de componentes, principalmente compressores, que no Brasil é produzido apenas por uma empresa", explica.

O PPB é uma contrapartida que as empresas instaladas na ZFM se comprometem para receber os incentivos fiscais, e que inclui a utilização apenas de componentes nacionais.

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