Onda de pessimismo derruba mercados

No Brasil, a BM&FBovespa caiu 3,66% e ficou abaixo de 50 mil pontos; e o dólar ultrapassou a barreira de US$ 2

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

Uma onda de pessimismo dominou as negociações do mercado financeiro ontem e derrubou as principais bolsas de valores do mundo. O movimento, intensificado pela revisão negativa do Banco Mundial sobre o crescimento global em 2009, fortaleceu o dólar em relação às demais moedas e fez recuar o preço das commodities.No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa), fortemente influenciada pelos preços internacionais, caiu 3,66% e ficou abaixo dos 50 mil pontos (em 49.494 pontos). O dólar subiu 2,58% e rompeu a barreira dos R$ 2. A moeda americana, que no ano perdeu 13,32% ante o real, fechou cotada em R$ 2,024.Segundo economistas, o movimento de ontem faz parte de um ajuste que começou timidamente na semana passada, mas já representa desvalorização de 6,96% da bolsa paulista em junho."Ainda é cedo para dizer se esse ajuste representa o retorno de um cenário de pessimismo, mas talvez os investidores tenham chegado à conclusão que havia um exagero no curto prazo", comentou o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto.Esse otimismo excessivo fez, por exemplo, o valor de mercado da BM&F Bovespa subir quase R$ 500 bilhões em praticamente dois meses. O desempenho foi influenciado, em especial, pela entrada de investimento estrangeiro, que bateu recorde em maio. O saldo das compras e vendas de ações na bolsa paulista ficou positivo em R$ 6 bilhões. Em junho, no entanto, até o dia 17, a movimentação estava negativa em R$ 1,3 bilhão."Existe uma desconfiança dos mercados de que os preços dos ativos caminharam mais rapidamente do que os fundamentos da economia, especialmente a dos países desenvolvidos", destaca o economista da Opus Gestão de Recursos, José Marcio Camargo. Segundo ele, o grande problema é que os dados reais da economia não são tão positivos como apontavam as expectativas. "A retomada será mais lenta do que se esperava."Essa é a previsão do Banco Mundial, que ontem divulgou uma revisão do crescimento econômico mundial para 2009. A projeção anterior, de contração de 1,6%, foi revista para 2,9%. Os dados negativos foram o pretexto que os investidores precisavam para intensificar a realização de lucros, afirmou o economista da Gap Asset Management, Alexandre Maia.Outro motivo do estresse de ontem, destaca Camargo, é reflexo da desconfiança de que o excesso de liquidez no mundo e o aumento dos déficits fiscais possam criar inflação ou incapacidade de os países financiarem seus déficits públicos num futuro próximo. "Isso tem provocado um aumento das taxas de juros de títulos de longo prazo, como os treasuries americanos. O movimento pode afetar a trajetória de recuperação da economia."

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