Rafael Arbex/ Estadão
Rafael Arbex/ Estadão

Onda de frio no País pode impactar a produção de milho e feijão, estima Inmet 

Relatório deve ser apresentado daqui uma semana; perda total de lavoura não foi registrada, mas segundo o instituto há registro ainda de redução em hortaliças, café, cana-de-açúcar e de algumas frutas

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2022 | 14h36

A onda de frio que atingiu praticamente todo o País nesta semana do mês de maio ainda não trouxe danos expressivos na lavoura até o momento, segundo Miguel Ivan Lacerda, diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No entanto, não estão descartados possíveis impactos à produção de milho e de feijão, que somente devem ser levantados daqui uma semana. Em entrevista à Rádio Eldorado nesta sexta-feira, 20, Lacerda disse que acompanha diariamente os efeitos das baixas temperaturas na agricultura do País.

Perda total não foi registrada, mas segundo o diretor do Inmet há registro de redução em hortaliças, café, cana-de-açúcar e algumas frutas, que o período das plantas está mais suscetível. "No entanto, hoje estamos mais preocupados com a produção de milho e do feijão. E essa avaliação sobre o impacto no milho e no feijão só vamos conseguir fazer daqui uma semana", estima.

"A gente tem acompanhado diariamente o impacto na lavoura junto aos técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Inmet e por enquanto o impacto não foi tão grande, mas temos que aguardar até a semana que vem para ver como será no fim de semana, principalmente no leste do País e nos Estados do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul", afirma Lacerda.

Para ele, por menor que seja a redução, o consumidor pode ser impactado. "Quando se tem uma redução da oferta total, você tem um deslocamento do preço. No ano passado, teve uma série de geadas que impactaram muito o preço do café, principalmente no Estado de Minas Gerais. Por outro lado, desta vez, o impacto no café não será tão grande porque já houve esse impacto anterior, nas plantas que já sofreram de geada. Foram trocadas ou estão em recuperação. Mas na cana-de-açúcar, podemos ter impacto até no preço da gasolina, por ter parte misturada com etanol", avalia. Além disso, algumas hortaliças como alface e brócolis também são impactadas pela alta de preços.

Com a variação da geada, o preço da carne também sofre reajuste. "A geada resseca o capim, tendo a exigência de colocar o boi em confinamento mais cedo. Como houve aumento grande de produtos como milho e soja, por isso, a preocupação com o milho, o custo para a produção da carne fica maior", disse o diretor do Inmet.

Além das regiões Sudeste e Sul, as baixas temperaturas nestes dias de maio foram sentidas em localidades geralmente mais quentes do Centro-Oeste do País e na Bahia, no Nordeste. Existe atenção também com relação à produção da lavoura no Mato Grosso, por exemplo. "O frio chegou até quase o norte do Mato Grosso. O frio atingiu o Goiás e parte do sul da Bahia. Também parte do Espírito Santo. No Distrito Federal, tivemos recorde histórico de frio. A última vez que medimos uma temperatura tão baixa foi em 1975", disse ele. 

A partir do fim de semana até quarta-feira, 25, as temperaturas vão subir nos Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste atingidos pela frente fria. No entanto, a tendência de mudanças climáticas que podem causar eventos extremos com mais persistência exige maior investimento em meteorologia. "É preciso melhorar a estrutura de meteorologia para avisar o produtor, para que possa se preparar com antecedência. Precisamos melhorar as redes de estações para ter dados específicos sobre as mudanças climáticas. Investir em super computadores para antecipar ao produtores sobre quais são os riscos e como eles podem se preparar. A gente conseguiu prever essa onda de frio com antecedência de 15 dias, mas o investimento em meteorologia vai reduzir ainda mais esse risco climático para a agricultura", afirma Lacerda.

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