''Onda protecionista é um perigo real''

Para representante do Banco Mundial, fracasso da Rodada Doha prejudica os países mais pobres

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

O Banco Mundial alerta que o fracasso da Rodada Doha abre novas possibilidades para que medidas protecionistas sejam aplicadas em todo o mundo, diante da falta de regras para controlar a pressão de grupos específicos. "Com a desaceleração da economia mundial, havia o risco natural de que uma onda protecionista ganhasse força", afirmou o principal representante do Banco Mundial na OMC, Richard Newfarmer. "Com o fracasso de Doha, essa onda se torna um perigo real."A seguir, os principais trechos da entrevista.O que significa o fracasso da Rodada Doha para a economia mundial?A economia mundial precisava de um incentivo, e o fracasso desta semana é uma grande oportunidade perdida. Quem mais sofrerá são os países mais pobres, que ganhariam acesso aos mercados para seus produtos e teriam benefícios com a redução das distorções internacionais nos mercados. Por que ocorreu o fracasso?Quase por uma questão técnica, que eram as salvaguardas para produtos alimentícios nos países emergentes. A verdade, porém, é que os negociadores precisam ser mais líderes e menos políticos. Quais são as conseqüências desse fracasso para o comércio? Com a desaceleração da economia mundial, há o risco natural de que uma onda protecionista ganhe força. Com o fracasso de Doha, isso se torna um perigo real. O que o Brasil perde com o fracasso?O Brasil seria um dos principais ganhadores do processo. A inclusão de novas regras para a agricultura seria um ganho real para a economia brasileira. Por isso, acredito que o Brasil precisará surgir nos próximos meses como o principal líder de uma iniciativa para que haja uma retomada do processo e que Doha possa renascer.

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