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Onde está o iate do cliente?

É importante que o investidor que quiser ter sucesso busque conhecimento sobre investimentos

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2021 | 05h00

O aconselhamento sobre investimentos vale milhões. Para quem? Segundo dados da InvestmentNews Research no ano passado, as 25 maiores corretoras independentes americanas obtiveram quase US$ 27 bilhões de receita, aumento de 4,3% em relação a 2019. Segundo analistas do setor, esse resultado estava longe de ser espetacular. Não imagino qual seria o valor considerado “espetacular” num ano de pandemia e com as pessoas de mais baixa renda passando fome.

Isso faz lembrar do livro de Fred Schwed, escrito há seis décadas, justamente com título Onde está o Iate do Cliente?. Segundo consta, esse título veio da história sobre alguém que visitava Nova York e que, depois de admirar iates que os especialistas de Wall Street haviam comprado com dinheiro ganho dando conselhos financeiros aos seus clientes, se perguntou onde estavam os iates dos clientes. Nenhum barquinho foi encontrado. A constatação foi que se ganha muito mais dinheiro fornecendo aconselhamento financeiro do que recebendo aconselhamento financeiro.

Pelos dados mencionados, é possível admitir que o título é tão relevante hoje quanto foi naquela época. Existem poucas indústrias onde se paga tanto por fazer tão pouco. Há alguns anos, quando a internet fez surgir uma gama de opções para o consumidor obter informações sobre investimentos, acreditou-se que o ganho das consultorias financeiras dadas pelos bancos tradicionais iria acabar. Aparentemente, isso não ocorreu dessa maneira.

Sem dúvida, os investidores passaram a ter novas opções para obter ajuda em seu planejamento financeiro, inclusive com robôs e inteligência artificial – e com certeza os custos do aconselhamento financeiro caíram muito. Por outro lado, muitos dos comentários encontrados pelos investidores no ambiente virtual são difíceis de entender. Primeiro, porque são feitos dentro de uma linguagem própria, repleta de jargões, siglas, termos técnicos e muitos em inglês. A impressão que dá é que são feitos para mostrar saber, ou talvez esconder falta de conhecimento, mas o fato é que o investidor, principalmente o iniciante, fica sem entender. Muitas vezes, seguindo o aconselhamento justamente por isso.

Um exemplo que pode ser encontrado com facilidade é o uso da sigla NAV. Pior ainda dentro de uma frase do tipo: o NAV da empresa X especializada em virtual currency foi ajustado dentro do FIP. A sigla NAV significa “net asset value” que, em português, é Valor Patrimonial Líquido. Calculado pela fórmula: (ativos - passivos)/número de ações. FIP significa Fundo de Investimento em Participações, que é um fundo destinado à aplicação em companhias abertas, fechadas ou sociedades limitadas, em fase de desenvolvimento. “Virtual currency” significa moeda virtual, como o bitcoin.

Mesmo com as traduções, a linguagem financeira não é acessível para todos, assim é muito importante que o investidor que quiser ter sucesso busque conhecimento sobre investimentos. Por outro lado, de muita ajuda seria os consultores falarem em uma linguagem mais simples.

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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