Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Onde investir com a Selic a 3,75% ao ano?

Taxa básica de juros influencia a renda fixa. Fique atento ao que deve ser feito para ajustar a carteira

Thiago Lasco , O Estado de S. Paulo

23 de março de 2020 | 05h00

Com as sucessivas reduções na taxa básica de juros, a rentabilidade dos títulos de renda fixa está achatada. Na semana passada, o Copom, do Banco Central, reduziu a Selic para 3,75% ao ano. Soma-se ao menor juro da história uma inflação projetada para 2020 beirando os 3%. O investidor que não olhar com cuidado para suas aplicações e fizer algumas correções de rumo pode acabar tendo ganhos reais próximos de zero – ou até mesmo negativos, se lembrarmos que em vários tipos pode haver taxa de administração ou a incidência de Imposto de Renda.

É preciso defender a carteira e adaptá-la aos novos tempos. Embora conhecer o perfil seja importante, existem opções que oferecem boa rentabilidade sem expor o investidor a grandes riscos. No momento atual, quem se destaca são os papéis prefixados – aqueles com a remuneração definida no momento da compra. 

Enquanto os juros no curto prazo sofrem os efeitos do encolhimento da Selic, as taxas oferecidas em títulos prefixados de médio e longo prazo subiram. “As taxas de 2, 3 ou 4 anos estavam baixas, na casa de 4,5% ao ano. Hoje, há títulos prefixados de 3 anos do Tesouro Direto sendo negociados perto de 7%”, diz Luís Barone, sócio-diretor da Ativa Investimentos.

Ainda que os prefixados estejam em uma boa fase, isso não significa que é preciso migrar todo o seu capital investido para papéis desse tipo. O ideal é dividir as quantias em horizontes de curto, médio e longo prazos, cada um com uma estratégia. 

Para aquele dinheiro que precisa estar sempre à mão para qualquer necessidade, nada melhor que os títulos pós-fixados, atrelados ao CDI – os mais conhecidos são os CDBs. É verdade que o retorno deles não é tão atrativo neste momento. Mas eles compensam oferecendo maior liquidez. “É importante guardar um pouco de dinheiro nesse colchão, até para aproveitar as oportunidades que surgirem”, afirma Fernando Fridman, head de produtos da Ourinvest.

Uma alternativa para alocar o dinheiro em prazos maiores é investir em títulos atrelados à inflação. Esse tipo de papel paga a variação do IPCA, índice que consolida a oscilação de preços no varejo, e mais uma taxa de juros. No cardápio do Tesouro Direto existe a opção do título Tesouro IPCA. 

No entanto, essa estratégia é vista com cautela por parte dos analistas de mercado, justamente porque a inflação está sob controle. Diversificar continua sendo a melhor opção. “O investidor primeiro divide entre CDI, prefixado e inflação. Depois, acrescenta fundos multimercado e renda variável. E complementa com câmbio”, diz André Souza Fernandes, da Ágora Investimentos. “Diversificar dilui o risco, porque a carteira consegue responder a cenários diferentes. Ela fica equilibrada, sofre flutuações menos bruscas, e as variações positivas são mais acentuadas que as negativas.”

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