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Ônibus que levava operários do Comperj é incendiado

Em mais um episódio violento nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um ônibus da empresa Viação Real Brasil que levava trabalhadores ao local foi incendiado na manhã de ontem. Segundo a polícia, dois homens armados numa moto abordaram o veículo por volta das 6h10 na via de acesso ao complexo e obrigaram os 13 operários e o motorista a descerem. Em seguida, atearam fogo no ônibus. Antes de fugir, a dupla ainda disparou para o alto. Ninguém ficou ferido.

IDIANA TOMAZELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2014 | 02h05

A ação se soma a uma série de problemas verificados no complexo, que está sendo erguido em Itaboraí, na região metropolitana do Rio, e cujos operários estão em greve. Projetado em 2006 por US$ 6,5 bilhões, o Comperj deve ter sua primeira unidade inaugurada em agosto de 2016, cinco anos após o programado, por pelo menos US$ 13,5 bilhões. O valor refere-se a apenas uma refinaria (165 mil barris/dia) das duas previstas. Em oito anos, o projeto foi alterado várias vezes, o preço inflado e houve atraso na chegada de equipamentos.

Em greve desde fevereiro, os trabalhadores das obras do Comperj reivindicam reajuste de 11,5% e elevação do vale-alimentação para R$ 450. As empresas oferecem 7%.

Desde o começo das manifestações, o Sindicato dos Trabalhadores do Plano da Construção, Montagem e Manutenção de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom), que representa os 29,2 mil trabalhadores do Comperj, já teve uma caminhonete queimada em 5 de fevereiro, ainda nos primeiros protestos. No dia seguinte, dois funcionários das obras foram baleados e outro foi ameaçado.

Inicialmente, o sindicato não apoiou a greve e foi acusado de manter postura patronal. Após os incidentes, o Sinticom aderiu à paralisação, deflagrada oficialmente em 11 de fevereiro. Em coletiva no dia 18 de fevereiro, a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, disse que a estatal acompanha a situação.

O ônibus incendiado ontem foi o primeiro registro violento desde então. A polícia investiga se houve tentativa de intimidar os funcionários que não aderiram à greve ou pressionar as empresas para que atendam às reivindicações. "De qualquer forma, é a ponta do iceberg. Há disputa política no sindicato, além das próprias motivações da greve", disse Graça Foster.

Uma liminar, concedida em 26 de fevereiro pela desembargadora Rosana Salim Villela Travesedo, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio, determina o fim imediato da greve. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 10 mil. A categoria vai realizar assembleia no dia 10 de março.

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