ONS aumenta transferência de energia entre regiões

Do Sudeste, o operador está enviando quase 4 mil megawatts (MW) médios para a região Sul

ALAOR BARBOSA, Agencia Estado

28 de março de 2008 | 19h02

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ampliou a transferência de energia elétrica entre as diversas regiões do País. Do Sudeste, o operador está enviando quase 4 mil megawatts (MW) médios para a região Sul, enquanto a Região Norte está enviando 3.362 MW médios para o Nordeste e para o próprio Sudeste. Essa troca de energia tem sido facilitada pelo grande volume de água nos reservatórios de Tucuruí, no Pará, e das usinas do rio Paraná, em São Paulo, especialmente as hidrelétricas de Ilha Solteira e Porto Primavera, da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Ontem a usina de Porto Primavera verteu (liberou água, sem passar pelas turbinas) cerca de 3.119 metros cúbicos por segundo, enquanto em Ilha Solteira o vertimento atingiu 1.600 metros cúbicos por segundo.Em Tucuruí, o ONS liberou ontem 5.351 metros cúbicos por segundo, o que equivale a cerca de 22% da água que chegou ao reservatório. Essa situação é comum em final do período chuvoso devido ao elevado volume de água nesta época do ano. Como não há reservatórios na região para controlar o fluxo, ocorre o desperdício do combustível. "Isso só será solucionado quando forem construídas novas usinas na região, permitindo um manejamento da bacia, como ocorre nos rios Grande e Paranaíba, no Sudeste", ilustrou um técnico do setor. "Liberar a água sem gerar energia é um espetáculo bonito, mas é um desperdício de água num momento em que o País precisa de energia", complementou.Com o excesso de água, o preço da energia na Região Norte no horário de menor demanda (entre as 21h e as 7 horas) despencou para apenas R$ 15,47 por megawatt-hora (MWh), ante R$ 85,23 da tarifa média. O objetivo do ONS é ampliar o consumo nesse horário e, com isso, evitar o vertimento da água. Um técnico do setor explicou que essa troca só é possível para os grandes projetos industriais eletrointensivos. "Quem for ágil consegue fazer uma grande economia de energia, trabalhando de madrugada e reduzindo a demanda durante o dia", comentou.

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