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ONS diz que Petrobrás considera impossível mudar cronograma de Campo de Mexilhão

Ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, havia solicitado adiamento da parada à Petrobrás

André Borges, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2018 | 18h32

No que depender do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Petrobrás, a manutenção da Plataforma de produção de Gás Mexilhão não terá seu cronograma alterado, como pediu o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco.

Em documento enviado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na segunda-feira, 30, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi categórico ao declarar que “a Petrobrás informou da impossibilidade de se reprogramar ou reescalonar as atividades, devido essencialmente à necessidade de atendimento a requisitos de segurança, e à complexidade envolvida na atual parada da plataforma de Mexilhão.”

No documento, ao qual o ‘Estado’ teve acesso, o ONS lembra que a Petrobrás, no dia 08 de maio, informou o operador sobre a necessidade de parada da plataforma de produção de gás Mexilhão no período de 15 de julho a 30 de agosto. Na ocasião, ONS solicitou que o início da parada não ocorresse em 15 de julho, por conta da operação especial no setor realizada durante a Final da Copa do Mundo FIFA 2018. A solicitação foi atendida pela Petrobrás, que reprogramou o início da parada para o dia 24 de julho.

A paralisação tem o propósito de atender requisitos de segurança devido exigências legais, remover atuais restrições de pressão e vazão e aumentar a capacidade de escoamento de gás para atender a vazão futura do pré-sal “dentro de condições de segurança operacional dos gasodutos e plataformas interligadas”.

O ministro Moreira Franco havia pedido que a paralisação ocorresse em outro momento, por conta da situação crítica de muitos reservatórios de hidrelétricas do País, sem condições de serem acionadas para gerar maior volume de energia. Seu argumento foi o de que o desabastecimento de gás de Mexilhão levaria à paralisação de usinas térmicas à gás, obrigando o setor a recorrer às térmicas a óleo diesel, que são bem mais caras e poluentes.

O ONS, no entanto, chegou a um entendimento diferente, destacando que, nestes meses, há um grande volume de geração eólica de energia a partir de parques do Nordeste, o que transforma essa região em “exportadora” de energia para todo o País.

A Petrobrás informou ainda ao ONS que, após essa parada, haverá aumento de escoamento de gás e produção de óleo na plataforma, além de flexibilidade de operação logística.

O cronograma de manutenção das usinas térmicas aponta para um montante médio de 1.350 megawatts (MW) de potência indisponível durante o período de parada da plataforma de Mexilhão.

O Operador fez um cálculo aproximado do impacto financeiro da parada de usinas térmicas a gás por conta da paralisação da plataforma de Mexilhão. A manutenção das usinas térmicas associadas à parada da plataforma, segundo o ONS, gerou um aumento de cerca de 290 MW médios, “representando um adicional de R$ 36,6 milhões no custo total de operação do sistema”.

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