Alan Santos/PR - 17/8/2020
Alan Santos/PR - 17/8/2020

ONS indica que aumento de demanda pode levar a esgotamento de energia em novembro

Alerta foi feito devido à perspectiva de aumento no consumo, puxado pelos setores de comércio e serviços, associado a estimativa mais “realista” sobre a quantidade de térmicas disponíveis para geração de energia

Marlla Sabino e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2021 | 15h57

BRASÍLIA - Frente ao cenário crítico da crise hídrica nos reservatórios, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicou que pode haver um "esgotamento" de praticamente todos os recursos energéticos em novembro, no fim do período sem chuvas. O alerta foi feito devido à perspectiva de aumento no consumo de energia nos próximos meses, puxado pelos setores de comércio e serviços, associado a uma estimativa mais “realista” sobre a quantidade de usinas termoelétricas efetivamente disponíveis para geração de energia.

De acordo com nota técnica emitida pelo órgão na quinta-feira, 22, os níveis de armazenamento dos reservatórios devem chegar perto do limite no fim do ano, principalmente nos subsistemas Sul e Nordeste. No pior cenário previsto pelo órgão, o País precisaria de importação de 2 gigawatts (GW) de energia para suprir a potência de energia elétrica e garantir o abastecimento.

Além do crescimento da demanda pelos setores de comércio e serviços, a manutenção do ritmo elevado das indústrias, principalmente daquelas voltadas para a exportação, elevaram a perspectiva de demanda de energia para os próximos meses. Os dados sobre a disponibilidade de térmicas também foram revisados, já que as usinas podem estar indisponíveis por diferentes motivos.

“Neste estudo prospectivo foi considerada uma disponibilidade termelétrica reduzida em comparação àquela considerada nos estudos anteriores, porém mais realista caso as ações no sentido de aumento da disponibilidade energética não alcancem o resultado esperado”, aponta o ONS.

As atualizações nas previsões já abrangem as medidas estabelecidas para reter mais água nos reservatórios das hidrelétricas e considera o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) para 4,5% ao ano -em vez dos 3% ao ano usado parâmetro no estudo anterior. “Essa nota técnica traz premissas mais realistas e alinhadas com o momento econômico atual e as condições conjunturais do SIN”, informou o órgão, em nota divulgada.

Diante do cenário, o ONS apresentou uma série de recomendações para atenuar as consequências da escassez de água. Entre elas a avaliação, em conjunto com a Agência Nacional de Águas e Saneamento (Ana), do uso de reservatórios das hidrelétricas das bacias do Rio Grande e do São Francisco para garantir o fornecimento de energia no País e a aplicação de medidas para aumentar a disponibilidade de energia termelétrica.

Essas medidas, diz a nota, incluem a antecipação, em alguns meses, da entrada em operação de termelétrica GNA I, localizada em São João da Barra (RJ) e movida a gás natural. As sugestões incluem ainda o “gerenciamento de manutenções programadas” de térmicas e o aumento da contratação de energia de térmicas Merchant (ou seja, que não possuem contrato fixo de geração e, por isso, são mais caras) e a ampliação da importação de energia do Uruguai e da Argentina.

Apesar das previsões, o ONS ressaltou que, nos dois cenários analisados, “não há risco de desabastecimento elétrico, mesmo diante das piores?sequências hidrológicas de todo o histórico de vazões dos últimos 91 anos”. O órgão informou que, embora o estudo indique que até o fim de 2021 a situação permanecerá sensível, continuará acompanhando os desdobramentos das ações já em curso e atuando dentro de suas atribuições para aumentar a oferta das fontes de energia e “garantir que não haja a suspensão do suprimento elétrico".

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