José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

ONS prevê bandeira vermelha nas contas de outubro e novembro

Segundo órgão, medida visa alertar consumidor de que falta de chuvas é um problema no Brasil inteiro e que pode se prolongar; saiba o que muda em sua conta de luz

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 12h52

RIO - O Operador Nacional do Sistema (ONS) já conta com o acionamento da bandeira vermelha nas contas de luz em outubro e novembro, devido ao agravamento da recessão climática em todo País. A medida visa a alertar o consumidor de que a falta de chuvas é um problema no Brasil inteiro - e não mais apenas no Nordeste - e que pode se prolongar.

"Nos últimos dois anos tivemos chuvas abundantes na região Sul e isso participava do reforço da região Sudeste, mas este ano o Sul também entrou na recessão climática e as chuvas estão baixas", explicou o diretor geral do ONS, Luiz Eduardo Barata.

"Já há alguns anos a gente vem passando por esse problema (falta de chuva), muito circunscrito à região Nordeste, na cascata do rio São Francisco. Mais recentemente essa recessão climática se estendeu para o rio Tocantins", lembrou o executivo.

Para amenizar o impacto da seca serão importados cerca de 1 mil Megawatts-médios da Argentina, a partir do mês que vem, e amanhã será retomada a importação de cerca de 450 MW-médios do Uruguai. 

Segundo Barata, fornecendo há um mês esse volume, o Uruguai teve que suspender o abastecimento na última segunda-feira, 18, por conta da parada da usina termelétrica Candiota III. "A entrega dos uruguaios é a partir do sistema de corrente continua, e para esse sistema funcionar depende dessa usina térmica", informou.

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A decisão pela importação se deve ao preço dessa energia, de cerca de R$ 450 o MWmédio, enquanto o preço da energia no Brasil vem sendo negociada perto dos R$ 700 o MWmédio, segundo o ONS.

E o problema pode se agravar no Nordeste a partir de fevereiro, se o período chuvoso não for suficiente, já que a produção das usinas eólicas, que vem garantindo o abastecimento da região, começa a cair nessa época. 

Segundo Barata, não haverá desabastecimento na região por causa da usina hidrelétrica de Belo Monte. "O Nordeste vai ter que importar mais energia de outras regiões, mas não haverá falta de energia", afirmou.

Na manga, o ONS tem ainda o manejo do uso das águas de alguns rios para viabilizar a produção de usinas hidrelétricas mais baratas. A ideia é utilizar, por exemplo, a água da hidrovia do rio Tietê em um nível que não prejudique a operação da hidrovia, para beneficiar as usinas hidrelétricas de Ilha Solteira, Jupiá e Porto Primavera.

"Podemos operar com um nível mais baixo na hidrovia sem causar prejuízo para o transporte fluvial, mas usando um pouco do rio Paraná", explicou. "Na verdade, tudo o que estamos fazendo hoje é no sentido de reduzir preço, por isso não vamos despachar fora da ordem de mérito", informou Barata.

O diretor geral do ONS espera também que a reguladora do setor, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), inicie rapidamente uma campanha para conscientizar o consumidor da situação em que o País se encontra.

"A nossa expectativa é de que a Aneel deflagre rápido uma campanha e depois o governo como um todo assuma essa campanha, sem medo, porque o que estamos dizendo é: vai ficar cara, e ficando cara é tão ruim para a economia como faltar energia", concluiu.

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