ONS suspende transferência de energia para o Norte

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) interrompeu ontem a transferência de energia elétrica do Sudeste/Centro-Oeste para a região Norte. Os técnicos do ONS constataram que já há água suficiente na cabeceira dos rios da região Norte para suprir a hidrelétrica de Tucuruí nas próximas semanas, embora o reservatório da usina esteja em apenas 23,57% da capacidade de armazenamento. "A água ainda está na cabeceira, mas está indo para o leito dos rios", ilustrou um técnico do setor. A transferência estava em torno de 1.000 MW médios e a redução vai permitir preservar mais água no Sudeste. Tradicionalmente há um forte aumento nas chuvas na região Norte em janeiro e fevereiro e a hidrelétrica acaba vertendo (libera água sem gerar energia).A avaliação dos técnicos do setor é que o desperdício de água na região Norte será inevitável este ano, mesmo com o baixo nível dos reservatórios. "Infelizmente, Tucuruí vai verter novamente porque as turbinas da usina não conseguem aproveitar toda a água que chega ao reservatório, devido ao grande volume de água em apenas duas ou três semanas. Como não há outros reservatórios na região, o desperdício é inevitável", lamentou o técnico. O ONS manteve a transferência de energia do Sudeste/Centro-Oeste apenas para o Nordeste, onde as chuvas ainda estão abaixo da média histórica e cujo suprimento depende quase que integralmente da bacia do rio São Francisco.NordesteOutra vitória do setor nas últimas semanas foi a expressiva recuperação do reservatório de Sobradinho, no Nordeste, que chegou a cair para apenas 12% da capacidade máxima de armazenamento. Ontem o volume de água em Sobradinho, considerado estratégico para o abastecimento do Nordeste, estava em 19,37% e continua se recuperando. Isso só foi possível com a redução de geração hidrelétrica no Nordeste, com o consumo regional sendo abastecido basicamente pelas térmicas e por transferências do Sudeste/Centro-Oeste. "Se as chuvas no interior de Minas Gerais e na Bahia ficarem na média histórica, a situação se normaliza no Nordeste", complementou. Dos quase 8.000 MW médios do consumo regional, apenas 50% estão sendo supridos por energia de hidrelétricas.GásPara as próximas semanas, a maior esperança dos técnicos do setor está no suprimento extra de cerca de 5 milhões de metros cúbicos de gás natural que a Petrobras deverá bombear do Espírito Santo para o Rio de Janeiro. Se esse gás adicional puder ser alocado integralmente para a geração elétrica, o ONS poderá acionar a térmica da Petrobras em Macaé, no norte fluminense (ex-Macaé Merchant), com acréscimo de 1.000 MW médios. "Só isso garante uma recuperação dos reservatórios do Sudeste ao ritmo de 1% a cada dois meses", informou o técnico.RacionamentoA administração do sistema elétrico tende a continuar tensa este ano, na avaliação de fontes do setor, embora o racionamento de energia elétrica ainda seja considerado uma opção remota. O volume de chuvas em janeiro tem ficado abaixo da média, mas os técnicos ainda aguardam as chuvas de fevereiro e março. "Pode chover forte nos próximos dois meses, o que permitiria chegar em abril dentro do limite (de segurança) fixado pelo governo, de 68% da capacidade de armazenamento. Mas cada gota de água terá de ser aproveitada", complementou o técnico. Se o nível em abril ficar abaixo da meta, o governo deverá manter as térmicas funcionando ao longo do ano, o que tende a encarecer as tarifas de todos os consumidores nacionais no ano que vem.

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