ONU alerta para crise global real com alta de alimentos

Secretário-geral diz que crise requer ação imediata e que ONU oferecerá US$ 755 mi para atenuar problema

Efe,

25 de abril de 2008 | 08h42

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta sexta-feira, 25, que a crise alimentícia requer ação imediata e anunciou que o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas deve oferecer US$ 755 milhões a projetos de apoio a refugiados e vítimas de desastres naturais. Na última quinta-feira, a ONU fez um apelo aos países para arrecadar esse valor e recebeu até agora 63% da quantia, cerca de US$ 475 milhões. Durante visita às Nações Unidas em Viena, Ban Ki-moon disse que esta crise pode afetar cerca de 100 milhões de pessoas no mundo todo e que, a longo prazo, é preciso uma ação consultiva em nível internacional para aumentar a produção agrícola.   Veja também:   Especial: Entenda a crise dos alimentos  Governo leiloará 55 mil toneladas de arroz no dia 5 de maio Supermercados dos EUA limitam venda de arroz Depois do feijão, arroz é novo vilão dos preços Barril da Opep bate oitavo recorde histórico, a US$ 111,14     Ban Ki-moon afirmou que o problema do preço dos alimentos foi um dos aspectos que discutiu durante a viagem por vários países africanos realizada no começo do ano, e se referiu à necessidade de adotar "várias recomendações" para lançar uma "revolução verde" na África. O secretário-geral da ONU expressou a "preocupação" do órgão multilateral diante do qualificou como uma crise global.   Como parte da ação urgente para fazer frente à crise humanitária, o principal responsável da ONU disse que é preciso melhorar os circuitos de distribuição das ajudas para alimentos. Com a intenção de delinear estratégias a curto e médio prazo, Ban Ki-moon afirmou que convocou todos os responsáveis de agências e programas das Nações Unidas afetadas por este problema para uma conferência na Suíça em 28 e 29 de abril.   A crise dos alimentos tem por base três fatores. O primeiro é o aumento da demanda por alimentos, principalmente dos chineses. Há também o fator meteorológico. Muitos países importantes têm passado por períodos adversos à agricultura, como a Austrália - o segundo maior exportador de trigo do mundo atravessa uma forte seca.   O terceiro é o aumento do preço do barril do petróleo, que tem ficado acima dos US$ 100. Nesse patamar, o custo da produção dos alimentos sobe. Esse fator influencia também outras áreas da economia, pressionando ainda mais a inflação.   No Brasil, depois do feijão, agora o arroz é o vilão da inflação. Os preços do arroz no mercado interno subiram cerca de 30% nas últimas semanas. Diante disso o governo se reuniu nesta quinta com a iniciativa privada e decidiu iniciar no dia 5 de maio leilões de parte dos estoques públicos de 1,4 milhão de toneladas da Conab. A venda terá como objetivo regular o abastecimento do mercado interno e assim, conter a alta dos preços do produto no País.   Na última quarta-feira, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, havia anunciado a suspensão das exportações de arroz do Brasil, mas recuou na quinta-feira, afirmando que o governo só vai impor barreiras às vendas externas do produto "numa situação extrema". Ele negou ainda a possibilidade de imposições de barreiras às exportações da iniciativa privada.   A alta nos preços dos alimentos devido à escassez de produtos, que provocou revoltas em diferentes países do mundo, também chegou aos Estados Unidos. Redes como a Wal-Mart e a Costco impuseram nesta semana limites na venda de alguns produtos, como o arroz. No caso da Wal-Mart, a medida afeta por enquanto só os centros Sam's Club, de venda em grandes quantidades e do qual é necessário ser sócio, assim como no caso da Costco.   O preço do arroz quase triplicou neste ano na Ásia, e a revolta contra o custo da alimentação e dos combustíveis provocou distúrbios em diversos países. Governos de diversos países exportadores adotaram restrições à venda de produtos alimentícios, para garantir o abastecimento interno, o que reduz ainda mais a oferta global, depois de vários anos de redução contínua nos estoques estratégicos.   (com Agência Estado e Reuters)

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