ONU condena restrições dos países às exportações

As agências internacionais alertam que as restrições às exportações, como a que adotou o Brasil no caso do arroz, "ferem os mais pobres" e pedem que todos os países "eliminem imediatamente" qualquer barreira. O apelo faz parte da estratégia anunciada hoje pelas Nações Unidas, depois de um encontro entre os 27 líderes de agências da entidade, além do Banco Mundial (Bird) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O FMI também criticou as barreiras. "É lamentável o que o Brasil fez no caso do arroz", afirmou o vice-diretor-gerente do FMI, Murilo Portugal. Entre as medidas adotadas hoje pela ONU para lidar com a crise de alimentos, uma delas é o apelo para que as barreiras às exportações sejam suspensas. Vários governos, entre eles o brasileiro, adotou limites para a exportação como forma de garantir preços mais baixos nos mercados locais. "Pedimos que todos os governos retirem imediatamente as restrições, que causam desequilíbrios adicionais", afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon. Para os especialistas e chefes de agência da ONU, as barreiras apenas incrementam as distorções nos mercados. "Isso é indesejável", afirmou Ban. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, também atacou as novas barreiras. "Não é disso que precisamos", afirmou. Zoellick e os demais xerifes das agências ainda elogiaram a decisão da Ucrânia de liberar suas exportações de grãos nos últimos dias. "Já vimos que a decisão teve um impacto positivo no comércio e nos preços", afirmou Zoellick. "Outros países precisam tomar medidas similares", disse. Já o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, deixou claro que as regras internacionais permitem que países adotem tais medidas. Mas na entidade a tendência de novas barreiras preocupa, já que poderia colocar ainda mais dificuldades para a conclusão da Rodada Doha (processo para a liberalização comercial dos países-membros da OMC). "Esse é o momento certo para que retificar as distorções no comércio e incentivar a conclusão da Rodada Doha", afirmou Ban.

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