ONU critica política do Brasil para o arroz

Crise de alimentos obrigou o secretário-geral a convocar às pressas os presidentes e diretores de agências

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

28 de abril de 2008 | 18h34

Agências internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) criticam a decisão do Brasil de restringir as exportações de arroz e pedem que todos os canais de exportação no mundo sejam mantidos abertos. A ONU abriu nesta segunda-feira, 28, um encontro de emergência de dois dias na Suíça para tentar solucionar a crise da alta nos preços dos alimentos. Entre as sugestões das organizações não-governamentais, a britânica Oxfam pediu o fim da expansão de biocombustíveis nos países ricos, alegando que seria um dos fatores que estaria contribuindo para a alta nos preços.   Veja também:  Especial: Entenda a crise dos alimentos  ONU culpa biocombustível e especulação por crise de alimentos ONU faz reunião em busca de ações para combater crise alimentar Crise na oferta de alimentos é passageira, diz Lula A crise com a alta de 50% nos alimentos em seis meses obrigou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a convocar às pressas todos os principais presidentes e diretores de agências, entre eles o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, e o presidente do Banco Mundial, Roberto Zoellick. "O mundo todo nos observa para saber o que irá ocorrer. Precisamos nos esforçar para encontrar uma solução", afirmou Ban.A idéia da ONU é a de apresentar amanhã um plano para evitar que a fome se agrave no mundo e permitir que a entidade continue distribuindo alimentos para 77 milhões de pessoas. A estratégia teria duas etapas. A primeira seria a de convencer os governos a manter abertos os canais de exportação. O debate, porém, coloca frente a frente aqueles que defendem medidas protecionistas aos defensores do livre comércio. Ban é um dos que quer o fim de qualquer restrição e defendeu hoje que os canais de distribuição de alimentos estejam funcionando plenamente. O presidente de uma agência da ONU, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Ifad, na sigla em inglês), Lennart Baage, não poupou críticas ao Brasil e as medidas de restrição às exportações. "Algumas dessas medidas não apenas contribuem para a instabilidade dos mercados globais como também afetam os preços que os produtores conseguem obter para suas vendas", afirmou. Em mais de 20 países, medidas foram tomadas para impedir as exportações de alimentos, supostamente para garantir o abastecimento interno e reduzindo o preço no mercado doméstico. EtanolOutra polêmica se refere ao papel do etanol. As opiniões sobre o impacto do biocombustível nos alimentos são variadas. Entretanto, para Ban, seria "injusto" acusar o etanol brasileiro de estar causando a alta nos preços por estar roubando terra de outros produtos para se expandir. Para ele, a emergência de uma nova classe média na China, Índia e Brasil que consomem mais alimentos, secas e alta nos preços do petróleo são os reais motivos, além dos especuladores.

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