ONU decreta 'emergência global' com alta dos alimentos

Com déficit diante da alta nos preços, a ONU enviou uma carta a todos os governos pedindo ajuda

JAMIL CHADE, Agencia Estado

24 de março de 2008 | 16h26

A alta nos preços de alimentos em todo o mundo está deixando um verdadeiro buraco nas contas da Organização das Nações Unidas (ONU), que decretou hoje "emergência global" e teme um aumento da fome no mundo. A inflação atingiu em cheio a organização que, por ano, distribui alimentos às pessoas necessitadas nos quatro cantos do mundo. Com um déficit diante da alta nos preços do milho, trigo, soja e leite, a ONU enviou uma carta a todos os governos pedindo ajuda. Assinada pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), a carta deixa claro: a inflação nos preços de alimentos está gerando um aumento do número de famintos no planeta, que já chegam a 854 milhões. "Para o PMA, uma organização que depende de contribuições voluntárias, o impacto da alta dos preços de alimentos, além dos combustíveis, representa nada menos de que uma emergência global", afirma a entidade. A ONU cita quatro motivos para a alta dos preços. O primeiro é o aumento nos custos de energia e no valor do barril do petróleo. Outro problema seria a maior demanda por alimentos em países emergentes, como a China, além do maior número de casos de seca por causa de eventos climáticos, destruindo plantações em várias partes do mundo.A avaliação da entidade é de que a disputa entre biocombustíveis e alimentos por terras, principalmente nos Estados Unidos, tem contribuído para a inflação.Em média, os preços de alimentos básicos aumentaram em 40% desde junho de 2007, segundo a agência. Só no Afeganistão, onde a ONU distribui alimentos para 2,5 milhões de pessoas, a alta de 70% no preço do trigo promete causar problemas sociais. Na América Central, a alta de 100% nos preços do milho afetou toda a economia de alguns países. Em El Salvador, a agência aponta que o valor nutricional dos alimentos ingeridos pela população caiu em 60% desde 2006. Para tentar lidar com a crise, a agência da ONU para que doadores incrementem suas ajudas. Segundo a entidade, esse aumento de dinheiro não servirá para atender a novas pessoas ou eventuais crises específicas que surjam durante o ano. O objetivo é apenas conseguir distribuir alimentos para o mesmo número de pessoas que receberam em 2007. A previsão original era de que a agência necessitaria para 2008 US$ 2,9 bilhões para comprar alimentos e distribuí-los. Desde que o cálculo foi feito, porém, vários dos itens fundamentais nas compras da ONU aumentaram. O resultado foi um buraco de US$ 500 milhões que a entidade agora precisa tapar. A nova projeção é de que custará US$ 3,4 bilhões para alimentar 73 milhões de pessoas em 78 países mais pobres. Isso se os preços dos alimentos não aumentarem ainda mais nos próximos meses. "Os atuais preços de alimentos significam que as populações mais pobres do mundo terão de gastar uma proporção maior de sua renda em alimentos. Isso pode querer dizer que vão comprar menos alimentos ou alimentos com menor valor nutricional. Ou que vão depender de ajuda para conseguir se alimentar", alertou a ONU.

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