ONU defende abertura de clubes exclusivos como o G7

A atual crise financeira mostra que é hora de que os clubes de países ricos, como o G7, se abrirem a grandes nações em desenvolvimento, disse um alto-funcionário da ONU na quarta-feira. "Clubes exclusivos de países ricos realmente não fazem mais muito sentido", disse Kemal Dervis, diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a jornalistas. "Claramente, a abertura desses clubes a atores grandes e fortes vindos dos países em desenvolvimento é altamente desejável." Dervis disse que a crise financeira, que começou nos EUA e se espalhou pelo mundo, será discutida na sexta-feira numa reunião de todos os diretores de agências da ONU, em Nova York. Dirigentes do FMI e do Banco Mundial também devem participar. Dervis não quis especular sobre a possibilidade de que surjam propostas concretas. Na opinião dele, "mercados emergentes, como Brasil, China e Índia, têm um papel enormemente importante a desempenhar agora na economia mundial, e alguns deles têm enormes recursos para jogar". A Casa Branca anunciou na quarta-feira a convocação de uma cúpula internacional, com a participação do G20, para discutir a crise. O G20 compreende os países industrializados do G7 e também emergentes como Brasil, China, Arábia Saudita e Índia. O diretor do Pnud se disse preocupado com a eventual redução de doações ao Terceiro Mundo por causa da crise, o que segundo ele ameaçaria o cumprimento da chamadas Metas do Milênio, como a de reduzir a pobreza pela metade até 2015, em comparação aos níveis de 2000. "Realmente não vimos quaisquer sinais imediatos de recursos sendo cortados na assistência oficial ao desenvolvimento ou de programas sendo adiados. Mas é claro que ainda é cedo, e estamos preocupados com isso." Dervis disse que o impacto da crise sobre a ajuda poderá ser sentido quando os governos aprovarem seus orçamentos para 2009 e 2010, possivelmente refletindo os custos da mobilização para resgatar o setor financeiro. "Os déficits em grandes países ricos, desenvolvidos e industrializados está crescendo. Então haverá pressão fiscal", explicou, ressaltando que isso não deveria afetar os compromissos já assumidos com os países mais pobres. "Os recursos adicionais que foram prometidos à África globalmente foram da ordem de 25 bilhões de dólares, e quando comparamos isso a esse tipo de esforço fiscal que está em andamento (de resgate do setor financeiro), claramente esses números não são muito grandes", afirmou Dervis. Só o pacote oficial de ajuda dos EUA a Wall Street é de 700 bilhões de dólares. Mas, de acordo com ele, o problema não se restringe à ajuda oficial, já que os bancos privados se tornaram relutantes em emprestar para países em desenvolvimento, afetando uma tendência dos últimos cinco anos, quando houve fortes investimentos diretos estrangeiros. "As corporações também podem estar restringindo alguns de seus planos de expansão", afirmou.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

22 Outubro 2008 | 21h46

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