ONU deve fiscalizar arsenais de potências nucleares, diz Dilma

Presidente pede em Nova York que AIEA verifique também armas nucleares.

João Fellet, BBC

22 de setembro de 2011 | 12h52

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira em Nova York, em reunião sobre a segurança no uso da energia atômica para fins pacíficos, que a ONU deveria fiscalizar os arsenais de potências nucleares.

Segundo Dilma, embora as atribuições da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se limitem a examinar o emprego da energia nuclear para fins pacíficos, os arsenais nucleares das potências militares também deveriam ser alvo de escrutínio.

"Seria sem dúvida necessário, para fins de segurança, fiscalizar ambos. É imperativo ter num horizonte previsível a eliminação completa e irreversível das armas nucleares", afirmou a presidente. "A ONU deve se preocupar com isso".

"O desarmamento nuclear é fundamental para a segurança, pilar do tratado de não proliferação cuja observância as potências nucleares devem ao mundo".

Dilma afirmou ainda que cortes orçamentários causados pela crise econômica global têm prejudicado programas de manutenção e de modernização das ogivas nucleares, agravando os riscos desses arsenais à segurança global.

"A posse desses arsenais por apenas algumas nações cria para elas direitos exclusivos. É resquício de um conceito assimétrico do mundo, formada no pós-guerra, que já deveríamos ter relegado ao passado".

Na quarta-feira, ao tratar do combate à crise econômica global em seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, Dilma já se referira à necessidade de "substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo".

Ela também criticou os países ricos pela forma como têm lidado com a crise: "Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias."

Acidente em Fukushima

A Reunião de Alto Nível sobre Segurança Nuclear foi convocada para discutir os rumos da energia atômica após o acidente em março no Japão, quando um terremoto seguido por um tsunami provocou um vazamento radioativo na cidade de Fukushima.

Em sua fala, Dilma disse ter determinado estudos adicionais nas duas usinas nucleares brasileiras para identificar fatores de risco, conforme a orientação da AIEA.

A reunião deve ser o último evento oficial na agenda da presidente em Nova York antes de seu regresso ao Brasil.

No início da tarde (horário de Brasília), pouco antes da partida, ela deve participar de uma coletiva de imprensa para fazer um balanço da visita, iniciada no domingo.

Na quarta-feira, a presidente tornou-se a primeira mulher a proferir o discurso inaugural da Assembleia Geral da ONU.

No discurso, principal evento da viagem, ela afirmou que a crise econômica global poderia causar uma "grave ruptura política e social", "capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações".

Ela cobrou união dos países no combate à crise e defendeu a criação de um Estado palestino. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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