ONU estuda criar Bolsa Família contra crise de alimentos

O Programa Mundial de Alimentação da ONU estuda adotar programas inspirados no Bolsa Família como forma de garantir a ajuda às famílias que sofrem com a alta nos preços dos alimentos e ajudar a dar comida a cerca de 20 milhões de crianças pelo mundo. "O governo brasileiro conseguiu avançar na distribuição de alimentos e estamos em contato para ver como podemos usar o modelo em outras regiões do mundo", afirmou a diretora do Programa da ONU, Jannete Sheeren. Para ativistas como a Oxfam e outras entidades internacionais, dar alimentos não resolverá a crise e apenas adiará os problemas. A entidade gastará US$ 3,1 bilhões em 2008 para alimentar 73 milhões de pessoas, mas até agora não conseguiu completar seu orçamento. "Se conseguirmos atingir todas as crianças e por meio de bolsas em escolas, já teremos feito um trabalho importante", afirmou. Segundo ela, os técnicos do Programa estão estudando o modelo do Bolsa Família para ver como implementar em outras realidades, como na África, América Central e Ásia. A adoção do Bolsa Família é parte de uma tentativa da ONU de criar redes sociais para garantir a alimentação e renda de uma camada de pobres que até dois anos atrás simplesmente não existiam. Para o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, a realidade é que nem a alta nos preços dos produtos básicos (commodities) gerou maior renda aos pequenos agricultores nos países mais pobres para compensar a alta nos custos de se alimentar. "O preço do petróleo impediu qualquer ganho. Muitos não irão plantar a próxima safra porque não têm como comprar fertilizantes", afirmou Zoellick.

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