ONU pede ajuda da iniciativa privada para reduzir a pobreza

A menção feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de o mundo ter um novo Plano Marshall para lutar contra a pobreza foi criticada pelo administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Mark Malloch Brown. "Os investimentos exigidos para que o mundo cumpra as metas do milênio (de redução de pobreza) até 2015 vão além da capacidade do setor público", afirmou. Pelos projetos das Nações Unidas, a redução dos problemas sociais no mundo não será feita apenas dependendo dos recursos dos países ricos, mas por meio de uma cooperação com o setor privado, dimensão que não existia no Plano Marshall, criado após a Segunda Guerra Mundial para reconstruir a Europa. Brown lembra que, para que o mundo consiga atingir a meta de dar acesso a água e energia elétrica até 2015 à toda população mundial, seria necessário uma medida que permitisse que a cada dia 250 mil pessoas tivessem acesso a esses serviços. "Isso não será feito com recursos públicos", disse.Perguntado em uma conferência de imprensa sobre a proposta de Lula de um Plano Marshall, Brown lembrou que o PNUD foi criado exatamente para tentar "globalizar" o Plano Marshall e que, portanto, a entidade "não pode negar seu passado". "Lula sabe o valor do setor privado. Ele sabe que precisa de setor privado", disse. Pela idéia do PNUD, a aposta não é nas empresas multinacionais, mas nas pequenas e médias companhias, que podem entender os potenciais de mercado em algumas regiões menos favorecidas. Para reverter a tendência, Brown aposta em uma série de eventos que começará com a convocação de Lula para que líderes mundiais se reúnam em Nova York em setembro para debater o fundo contra a pobreza e a fome. "Será um período de esforços", disse.

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