ONU pede transparência e disciplina no setor financeiro

A Organização das Nações Unidas (ONU) apela para que a comunidade internacional negocie regras de transparência e de disciplinas no mercado financeiro para que novas crises como a do crédito imobiliário subprime (de alto risco de inadimplência) nos EUA não voltem a ocorrer. Para a entidade, não há como haver uma separação entre o impacto da turbulência nos países ricos e emergentes. Mas aposta em uma maior resistência das economias em desenvolvimento, entre elas o Brasil, para enfrentar o cenário internacional."O Brasil está bem posicionado para enfrentar a crise financeira internacional. Mas precisa diversificar cada vez mais sua economia para garantir que permaneça resistente contra turbulências", afirmou o secretário-geral da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Supachai Panitchpakdi. Para o tailandês, que dirigiu a Organização Mundial do Comércio (OMC) e foi ministro de Finanças de seu país, os países emergentes estão tendo um papel "fundamental" para reequilibrar o cenário internacional. "Hoje, grande parte das reservas internacionais estão nos países emergentes. Só a Ásia tem 60% dessas reservas e é esse dinheiro que está alimentando os mercados ainda", alertou Supachai. "O maior peso dos países do Sul precisa ser reconhecido de uma vez por todas", disse, lembrando que há novas forças protecionistas nos países ricos contra tentativas de expansão das empresas dos países emergentes."Estamos vendo a segunda geração da globalização, na qual o cenário não é composto apenas pelos países ricos e suas empresas, mas pelas economias emergentes. As exportações dos países em desenvolvimento já representam um terço do comércio mundial, assim como os investimentos diretos", disse Supachai.Ele nega, porém, que possa haver uma crise sem que as economias emergentes sejam atingidas. "Vivemos em um sistema globalizado e, no setor financeiro, isso é claro. O que pode ocorrer desta vez é que o impacto não será tão duro como em outras ocasiões", afirmou Supachai. A ONU defende que haja uma negociação para a criação de um acordo que estabeleça regras para o mercado financeiro. "Se existem regras para o comércio, acreditamos que algo parecido poderia existir no setor financeiro", apontou Supachai. Segundo ele, o Fundo Monetário Internacional (FMI) poderia ser o fórum apropriado para negociar tais regras. Outra possibilidade seria entendimentos regionais, como na UE. "Espero que o FMI incremente seus trabalhos de monitoramento e transparência no setor financeiro. A crise hoje é resultado da falta de transparência e disciplinas nos instrumentos de mercado, como os derivativos", afirmou.

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