ONU prevê supersafra global, mas diz que comida seguirá cara

O mundo terá uma supersafra de alimentosneste ano, mas isso não deve bastar para impedir que nos paísesmais pobres o custo da alimentação quadruplique em relação aocomeço da década, disse a ONU na quinta-feira. O aumento da área plantada e o clima propício devem fazercom que a colheita de trigo seja 8,7 por cento superior à doano passado, e por isso o preço do produto já caiu cerca de 50por cento desde fevereiro, segundo a FAO (agência da ONU paraalimentação e agricultura). "Esta melhora na oferta deveria em princípio ajudar, masnão esperamos ver os preços caindo para onde estavam antes",disse o diretor-geral-assistente Hafez Ghanem em entrevistacoletiva para apresentar um relatório semestral sobre asperspectiva agrícolas globais. Desde o ano passado, os alimentos vêem subindo de preçodevido a uma conjunção de vários fatores -- uso de terras paraa produção de biocombustíveis, transtornos climáticos, aumentoda demanda em países como Índia e China, especulações nomercado e o aumento do preço do petróleo. As populações pobres são as mais afetadas por esseproblema, e em vários países houve protestos contra o preço dosalimentos. O relatório prevê que a oferta de arroz continuarálimitada, e os países pobres que dependem da importação dealimentos podem ver seus gastos subirem até 40 por cento nesteano, depois de um aumento semelhante em 2007. Ao todo, a produção global de cereais deve crescer 3,8 porcento, puxada pela supersafra do trigo, segundo a FAO. Os EUA terão sua maior safra do produto desde 1998, com umcrescimento de 16 por cento sobre o ano passado. A UniãoEuropéia, que suspendeu uma regra sobre a rotação de cultivos eo descanso regular das terras, terá uma safra de trigo 13 porcento maior. Mas os preços não devem despencar porque a demanda continuacrescendo e há necessidade de recompor os estoques, segundo aFAO. O custo total da importação de alimentos vai superar nesteano pela primeira vez a marca de 1 trilhão de dólares, depoisde um aumento de até 26 por cento em relação a 2007. "Nas últimas semanas, os preços internacionais de muitosprodutos agrícolas começaram a cair, e os primeiros indicadoresnão excluem novos declínios nos próximos meses, embora ospreços dificilmente voltem aos níveis baixos devido a uma sériede razões", disse o relatório. A produção de arroz deve crescer neste ano, em 2,3 porcento, e ao contrário de 2007 haverá mais produção do queconsumo desse produto, que é um item básico para cerca demetade da humanidade. Mas, devido às restrições contra exportações em váriospaíses produtores, não haverá arroz suficiente no mercadointernacional para derrubar a cotação, que teve alta de 71 porcento no primeiro quadrimestre. "A pressão diminuiria consideravelmente caso a Índia, quedeve ter uma supersafra secundária em 2007, relaxasse as atuaisrestrições às exportações", disse o texto. Ghanem afirmou que o mundo deveria se empenhar mais empromover o acesso de agricultores da África a sementes efertilizantes, para que melhorem sua produtividade. A FAO promove uma cúpula em Roma entre 3 a 5 de junho paradiscutir medidas contra a crise alimentar global. De acordo com o relatório, a quantidade de grãos usados naprodução de biocombustíveis crescerá 40 por cento neste ano. Deum total de 98 milhões de toneladas usadas nesse setor, o milhoresponderá por 92 milhões (sendo 79 milhões só nos EUA).

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