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ONU quer 1% de pacote de ricos para países subdesenvolvidos

Stiglitz tenta encontrar formas de financiar os países vulneráveis, chegando a sugerir a criação de 'FMI regionais'

Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo

12 de março de 2009 | 17h50

A comissão da ONU formada para repensar o sistema financeiro internacional e chefiada por Joseph Stiglitz vai propôr que 1% de qualquer pacote de socorro às economias ricas, empresas ou bancos seja destinado aos países em desenvolvimento. Stiglitz tenta encontrar formas de financiar os países vulneráveis e evitar um default, chegando a sugerir a criação de "FMI regionais" para permitir que o dinheiro chegue até as regiões mais prejudicadas.

 

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"Uma solução terá de ser global. Teremos de ter um pacote de estímulo global", afirmou o economista, que também alerta para o risco de uma "desglobalização".Para ele, os países em desenvolvimento correm o risco de sofrer mais que os próprios países ricos em caso de uma reversão no processo de globalização diante da queda no fluxo de exportações, créditos e investimentos. Os pacotes de ajuda nos países ricos também criaram distorções e que serão mais sentidas exatamente nos países pobres.

 

"A crise não surgiu nos países emergentes. Mas agora eles serão os mais prejudicados. A crise vai piorar ainda mais e pode ser a mais longa e mais profunda desde Grande Depressão", disse. "O livre mercado e o livre comércio estarão afetados por anos e os mais prejudicados serão os países em desenvolvimento", disse.

 

Sem créditos, o Banco Mundial estima que mais de 90 países pobres podem se ver em dificuldades nos próximos meses. A ideia, portanto, é de que "fundos monetários regionais" sejam criado para "compensar" esses governos e permitir um financiamento.

 

"Os países em desenvolvimento não tem recursos para relançar suas economias. É necessário que os países ricos ajudem agora", defendeu Stiglitz. "Se não houver uma recuperação global, Europa, Estados Unidos e Japão sabem que não conseguirão se levantar", disse. Ele lembra que o Leste Europeu se transformou na nova fonte de crise para a Europa Ocidental. "A ajuda não é uma questão humanitária, é de auto-proteção", disse.

 

Para ele, o mundo precisa diversificar as fontes de financiamento e uma ajuda global precisa ser estabelecida. Uma das alternativas seria a de fortalecer os bancos regionais e nacionais, como o BNDES. Sua proposta seria a de destinar 1% de qualquer pacote a um fundo para ajudar as economias vulneráveis. O pacote de propostas será divulgado na próxima semana, antes da reunião do G-20, em Londres.

 

Stiglitz alerta que a proposta da Europa de reforçar o FMI com US$ 500 bilhões não será suficiente para evitar a recessão global. O economista alerta que os Estados UNidos até agora não deram sinal do que vão contribuir em dinheiro para ajudar os emergentes.A Europa já prometeu US$ 250 bilhões, contra outros US$ 100 bilhões do Japão.

 

Outra proposta é para que os países ricos e mesmo os emergentes abram seus mercados unilateralmente às economias mais pobres, como forma de estimular as exportações desses países e relançar essas economias.

 

Crítica

 

O economista ainda não poupa críticas aos bancos. "A economia de mercado fracassou. Os mercados não se auto-regulam", disse. "Precisamos repensar as regras", completou. "Os bancos intoxicaram o mundo e agora são os contribuintes que pagam pela limpeza. Quando há lucros, eles são privados. Quando há prejuizos, são socializados. Isso não capitalismo", afirmou.

 

Para ele, os pacotes adotados até agora, até mesmo pelo governo Obama, são equivocados. Ele chega a acusar as autoridades de estar protegendo interesses e de não estar fazendo a reforma necessária nos bancos. "Os Estados UNidos não sofrem mais apenas uma crise econômica. Ela é uma crise social profunda". Segundo ele, o país precisará criar 9 milhões de postos de trabalho até 2010. "O pacote de Obama fala de apenas 3,6 milhões", concluiu.

 

Segundo o economista, a crise e medidas protecionistas podem ainda fortalecer a causa de governos que tem discursos anti-globalização. "Uma das coisas que tiramos dessa crise é que o sentimento de injustiça se exacerbou", afirmou.

 

Outro temor é de que haja uma "desglobalização". O termo foi cunhado para explicar o fenômeno de redução da integração entre os mercados. "Esse risco é substancial", disse. "A globalização trouxe benefícios, mas também riscos. O que precisamos garantir é que não fiquemos apenas com os riscos dela", disse.

 

Uma das formas de exacerbar essa "desglobalização" seria a proliferação de medidas protecionistas. Para ele, medidas como o "Buy American" mandam um sinal negativo. A medida criada pelo governo de Barack Obama serve para garantir que o dinheiro público dado no pacote de resgate da economia americana já para as empresas locais.

 

Reforma

 

O pacote de Stiglitz também traz propostas de longo prazo. Uma delas é a de aumentar a demanda mundial e a criação de um sistema de reservas globais. Os detalhes da proposta serão anunciados na próxima semana.

 

Outra ideia é de uma reforma completa do FMI. "O Fundo perdeu sua legitimidade. Não alertou para a crise que estava chegando e até promoveu políticas que, hoje, estamos vendo que ajudaram a acelerar a contaminação", disse. Para completar, a Comissão Stiglitz pedirá a criação de um Conselho Econômico Mundial, que monitoraria riscos e estabeleceria controles sobre o mercado financeiro.

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