ONU questiona status do dólar como moeda internacional

Entidade defende sistema de baixo atrelamento capaz de corrigir os severos déficits de nações devedoras

AE,

08 de setembro de 2009 | 10h31

Um painel de discussões da Organização das Nações Unidas (ONU) acrescentou peso ao debate sobre o status do dólar como moeda internacional de reserva, defendendo um novo sistema de baixo atrelamento capaz de corrigir os severos déficits de nações devedoras, como os Estados Unidos, e superávits em países como a China.

 

O relatório da conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas, divulgado na segunda-feira, defendeu que as economias mundiais se sairiam melhor com um sistema onde os governos interviessem quando necessário para defender ou depreciar suas próprias moedas.

 

"Uma solução viável ao problema do câmbio seria um sistema com taxa de câmbio flexível, administrado de modo a ter como meta uma taxa consistente com uma posição sustentável em conta corrente, a qual é preferível em qualquer 'situação sem saída'. Mas como a taxa de câmbio é uma variável que envolve mais do que uma moeda, há melhor chance de se atingir um padrão estável de

taxa de câmbio em um esquema com consenso multilateral para a administração do câmbio", disse o documento.

 

O papel do dólar como moeda de reserva tem sido criticado ultimamente, especialmente pela China e Rússia, que têm pedido sua substituição pelos Direitos Especiais de Saque (DES) do FMI. Muitos consideram essa proposta impraticável, diante da baixa disponibilidade ou do fraco poder de compra dos DES além de seu atual papel de moeda para cumprimento de obrigações internacionais com o fundo.

 

As Nações Unidas também consideram o uso dos DES impraticável, mas destacam problemas com o atual sistema. "Uma economia cuja moeda é utilizada como moeda de reserva não tem as mesmas obrigações que outras de fazer os necessários ajustes macroeconômicos e no câmbio necessários para evitar a manutenção de déficit em conta corrente. Portanto, a dominância do dólar

como o principal meio internacional de pagamento foi também responsável pelo aumento dos desequilíbrios globais na atual crise", diz o relato.

 

Mas o documento comentou igualmente sobre os superávits da China e da Alemanha. Enquanto Nações devedoras como os Estados Unidos são levadas a reduzir suas importações quando sua habilidade de obter financiamento externo atinge um limite, "países superavitários não têm a obrigação sistemática de elevar suas importações para equilibrar os pagamentos". Portanto, as Nações

Unidas defendem um sistema onde países possam administrar o câmbio dentro de uma banda. Isso diminuiria a especulação, evitaria crise com moedas, desequilíbrios de longa duração, armadilhas com dívida de países em desenvolvimento, condições procíclicas e minimizaria a necessidade de manutenção de reservas internacionais.

 

As Nações Unidas reconheceram que tal sistema não viria da noite para o dia. "O estabelecimento de tal sistema levaria algum tempo, porque exige consenso internacional e construção de instituições multilaterais", diz a ONU. As informações são da Dow Jones.

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